Mesa JK – 07/06/2009

Brasília, 07 de junho de 2009

Brasília, 1956. O que mais se via na cidade era poeira. No futuro Plano Piloto, centenas de esqueletos de concreto cresciam rápido, a olhos vistos. O trabalho era ininterrupto, dia e noite. Nas horas vagas, frequentar bordéis e bares era uma das poucas opções de diversão dos candangos.

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OSCAR-1Quando em Brasília, Juscelino Kubitschek presidia o Brasil do Catetinho, um barracão de madeira de dois andares, e acompanhava as obras de perto, trabalhando junto a Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Israel Pinheiro.

Para eles, a diversão tinha que ser mais reservada. As “meninas” vinham dos melhores bordéis do Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O calor e a poeira tornavam os dias insuportáveis. Assim, os amigos resolveram criar um clube particular. Em uma área de mata a três quilômetros do Catetinho, onde nasce o Córrego Capão Preto, um forte veio d’água, construíram seu recanto.

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Brasília, 2009. Abandonado e esquecido, o recanto dos Construtores de Brasília ainda existe e meu amigo Dourado convidou-me para conhecê-lo.

No friozinho do início da manhã peguei minha bike e encontrei-me com Alexandre Sales na portaria do condomínio. Nosso destino era a região conhecida como Tonéis, nas proximidades do Riacho Fundo e Núcleo Bandeirante. Pegamos a EPVP e seguimos até o Setor Habitacional Arniqueiras (SHA), onde mora o Dourado, nosso guia. Ele nos esperou com uma caprichada vitamina de açai. Dali, seguimos até um posto de gasolina no bairro Riacho Fundo, onde esperamos pela chegada dos outros amigos que se candidataram ao pedal. Esperamos cerca de 30 minutos até que todos chegassem: Rodrigo Augusto, José Henrique Reis, Clóvis e Rubem.

Cruzando o bairro, chegamos às bordas do grande vale cercado por Riacho Fundo, Núcleo Bandeirante e Park Way. Esta grande área, conhecida como Tonéis, engloba a Fazenda Sucupira, da Embrapa; a ARIE (Área de Relevante Interesse Ecológico) do Ipê; e várias chácaras. O nome Tonéis se deve a duas grandes caixas d’água que existem no alto de um morro. “Os Tonéis” é um dos melhores locais para prática de mountain bike do DF, com todos os níveis de dificuldade e terrenos variados (lama, cascalho, subidas, descidas, estradões). No local existem muitas nascentes e vários riachos.

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Entramos no vale por uma estrada de chão nos fundos do bairro Riacho Fundo, que segue para a Fazenda Sucupira. Antes de entrar na fazenda, pegamos um desvio à esquerda. Descemos um single erodido e entramos em área de mata. Dentro dela, passamos por duas pontes sobre o córrego Riacho Fundo, que dá nome aos bairros vizinhos.

 

Saímos da mata por single tracks que acompanham a cerca de uma chácara e pegamos a estrada de chão no final. Pedalamos pela estrada até escalar um morro, de onde tivemos bela vista da área por onde pedalaríamos. Entramos nos deliciosos singles dos Tonéis.

Pelos singles, chegamos numa área descampada. Buracos e montes de terra demonstram que o local foi trabalhado por tratores. Criou-se ali um playground para ciclistas. Brincamos por alguns minutos, subindo e descendo os montes e passando pelos enormes buracos. Mesmo sendo junho, havia água acumulada dentro de alguns buracos e enormes poças.

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Locais mais úmidos estavam salpicados de chuveirinhos, flor típica do cerrado.

Continuamos nosso pedal até chegarmos numa mata fechada, onde nasce o Córrego Capão Preto. Uma estradinha adentrou a mata. Seguimos por ela cerca de trezentos metros, até uma área um pouco mais aberta, em que o sol conseguia chegar ao solo. Deixamos as bikes e descemos pequena escadaria. Chegamos. Ali estava a famosa “Mesa JK”.

Sob a sombra da mata há uma plataforma de concreto armado sobre pilares e, no meio dela, construiu-se uma grande mesa e bancos, também de concreto armado. A mesa tem cerca de três metros de comprimento.

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No final da escada, uma laje de concreto serve de ponte para cruzar o riacho. A água surge do meio da mata, conduzida por manilhas cortadas ao meio. Limpíssima, a aǵua passa por uma banheira natural, quase uma hidromassagem, e depois segue seu caminho, passando por baixo da plataforma.

Vendo aquele lugar, fiquei imaginando as festas que aconteciam nas tardes quentes do Planalto Central.

Hora de refrescar-se um pouco na banheira de JK. Banho rápido e gelado.

Depois, lanchamos e tomamos o rumo de casa, passando novamente pelas trilhas dos Tonéis e pouco antes da 11h da manhã já estava de volta em casa.

Obrigado, Dourado. Conhecer este lugar histórico desconhecido foi emocionante. Este lugar faz parte das Histórias Secretas do Planalto Central.

Rodamos 45 kms neste dia.

Obs: pedimos aos visitantes que não depredem a Mesa JK. Conheça o local, mas não suba na mesa e nos bancos, não destrua a natureza do local. A Mesa faz parte da história do Brasil.

 

3 comentários sobre “Mesa JK – 07/06/2009

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