Castelo Eldorado – Marilândia do Sul/PR – 12/02/2002

Marilândia do Sul, 12 de fevereiro de 2002

 http://maps.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=en&geocode=&q=castelo+eldorado,+maril%C3%A2ndia+do+sul,+pr&sll=37.0625,-95.677068&sspn=50.823846,79.101563&ie=UTF8&ll=-23.748033,-51.249526&spn=0.007238,0.009656&t=h&z=17

“Belezas naturais e um luxuoso castelo criam um cenário cinematográfico em pleno vale do Ivaí.”

No feriado de Carnaval fomos visitar o famoso Castelo Eldorado em Marilândia do Sul, a cerca de 110 km de Londrina.

Saímos da Fazenda Itapuã, de meus tios, e fomos até o castelo, que fica a poucos quilômetros da fazenda.

O castelo dista 6 km da sede do município pela BR-376 – sentido Mauá – Marilândia, mais 3 km por estrada de chão.

O castelo é uma luxuosa construção com 2142 m2, edificada pela família alemã Stalk durante a II Guerra Mundial entre 1942-1947. Possui quatro pavimentos com paredes de 70 cm de espessura e abrigam inúmeros aposentos que foram construídos e decorados, com muito luxo e conforto, com preciosidades vindas da Europa, às vezes trocadas por alimentos que fartavam nas terras brasileiras mas eram escassos num continente em guerra. Escadarias, elevador, banheiros em mármore de Carrara, vidros franceses, lustres tchecos, cortinas da Síria, aquecedores de água elétricos numa época em que para se tomar um banho quente a maioria da população tinha que esquentar a água em fogões a lenha.

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Todo esse luxo, inserido no meio da mata de araucárias do norte do Paraná, cria um cenário cinematográfico que despertou, segundo boatos, o interesse de personalidades como Xuxa e Ratinho, que tentaram em vão comprar o lugar.

Todo o requinte do castelo, construído no Vale do Ivaí, em um lugar quase inacessível na época, gerou, e continua gerando, inúmeras hipóteses e lendas, uma vez que não se sabe qual era a real intenção da família ao construí-lo. O fato é que a fazenda possuía 5000 alqueires e que ficou conhecida como “República do Eldorado”. A riqueza proveniente da madeira era tão grande que a República chegou a ter uma moeda própria chamada “Boró”, que era aceita em toda a região.

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Por que um castelo foi construído no meio do Norte do Paraná? Haveriam passagens secretas no subsolo? Por que todos os móveis foram retirados? Por que a família Stalk se nega a fornecer maiores informações sobre a história do lugar? Por que a cidade foi destruída quando adquirida pelos ingleses? Estas são algumas das inúmeras perguntas sobre as quais pairam dúvidas em relação ao Castelo Eldorado.

Há versões em que o castelo teria servido como uma fortaleza de luxo para os nazistas fugidos da Alemanha durante a Segunda Grande Guerra. Boatos ou verdades? Só a família Stalk pode solucionar estas dúvidas.

Hoje em dia, ao passar pelas estradas que levam até o castelo não se pode ter idéia do que foi a “República do Eldorado”. Além do castelo e algumas torres de caixas d’água ainda preservados que se podem avistar, pouco sobrou desse território alemão em terras paranaenses. As serrarias da família Stalk forneciam caixas para as grandes indústrias de cerveja do Brasil, num apogeu que pode ser situado entre 1940 e 1965. Nos arredores destas serrarias nasceu a cidade onde havia cinemas e restaurantes, além do “Boró”, sua moeda própria.

Depois da exploração da mata a família Stalk deixou a região e a cidade foi destruída. O resultado, que hoje se faz visível nas ruínas cobertas de mato vistas na região, avulta num testemunho eloqüente e muito triste: as araucárias de porte soberano se transformaram numa “Serra de Pó-de-Serra”, que ocupa 6Km de extensão e, que em alguns trechos, tem mais de seis metros de altura.

Hoje, o castelo está encravado em uma área de 12 alqueires que ainda conserva reminiscências da mata nativa, com belos exemplares das Araucárias que fizeram a riqueza do lugar. O local apresenta atrações como chalés, cascata, represas para pescarias e banhos e um mirante em cima de uma grande árvore, de onde se avistam as cidades circunvizinhas mais próximas.

Espero um dia voltar ao castelo e vê-lo restaurado e transformado num museu com móveis, fotos, documentos, utensílios e tudo mais que possa contar a história do lugar. Independente do posicionamento político dos antigos proprietários, todos os fatos ali ocorridos fazem parte da história do Paraná e, a meu ver, não deveriam ficar ocultos.

AGRADECIMENTOS A:

– Sérgio, Vanir e Adriana Guizelini: que nos hospedaram durante o feriado de Carnaval.

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