Trilha do Urubu – 06/04/2013

Brasília, 8 de abril de 2013

 

Antônio Pedro e eu saímos pontualmente da quadra 103 às 6h da matina. Ninguém além de nós apareceu por ali. No caminho, toca o telefone. Era o Rogério, que tinha chegado no postinho. Ele disse que iria ligar para o Alessandro e depois partiria.

Chegamos no Parque Jequitibá, em Sobradinho, por volta das 6h30 e tivemos muito tempo pra tomar café numa padaria e preparar as bikes pro pedal pois o resto da turma atrasou muito. A trilha só começou às 8h, com uma hora de atraso. Assim, a nossa estratégia de sair cedo pra voltar cedo ficou prejudicada.

Compareceram ao pedal o puxador Rogério Prestes, Evandro, Antônio Pedro, Alessandro, Zénrique, Írio, Lamartine (não é o nosso velho conhecido), Mazza e mais um colega.

Com tanto atraso, já saí dizendo pro Rogério: “- Soca a bota!”, e foi o que fizemos. Saímos pela estrada ao lado do parque e pegamos a estrada que passa em frente ao Polo de Cinema. Saímos pedalando rápido rumo à fazenda Mugy. Num ponto de ônibus, onde paramos para reagrupar, contabilizamos uma baixa: o colega do Mazza desistiu.

Adentramos na fazenda Mugy, com seus singles técnicos no meio do cerrado preservado. Parte da fazenda Recreio Mugy foi transformada na “RPPN Santuário Ecológico Sonhém” em 1999. Isso quer dizer que essa área vai ficar assim, selvagem, pra sempre.

Situada na zona rural de Sobradinho, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário Ecológico Sonhém é a mais extensa do Distrito Federal, com 126 hectares de vegetação típica. Mantém a mata ciliar no córrego Sonhém, logo abaixo de sua formação pela confluência dos riachos Buritizinho e Mujy. Paisagem ondulada, nas bordas do platô, de onde o rio Sonhém corre para juntar-se ao rio Maranhão, que depois formará a bacia do rio Tocantins. Preserva uma fauna diversificada, com pacas, tatus, preás, raposas, veados campeiros, etc. Região calcárea, apresenta grutas, algumas com até 8 metros, com diversas espécies de morcegos.

Os singles da Mugy acabaram perto da sede da fazenda. Pulamos várias cercas, algumas elétricas, pedalamos no meio do capim e chegamos na floresta. Sim, do DF tem floresta, e das grandes. É surpreendente ver uma mata daquelas no meio do Planalto Central, cuja vegetação predominante é o cerrado.

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Cruzamos um riacho e chegamos na primeira subida no meio da floresta.

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Uma subida escorregadia, longa. A umidade alta nos fazia suar em bicas.

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Num trecho, subindo um single ao lado de uma vala, minha bike escorregou numa raiz e o pedal não desclipou. Comprei um terreno, e profundo. Caí pra direita, dentro de uma vala, e fiquei lá, preso. Se não fossem os colegas, teria muito trabalho pra sair de lá. O pé direito, que ficou preso, passou a doer e a me incomodar.

E fomos subindo, subindo, o cansaço pegou todo mundo. O único que enfrentava todas as ladeiras era o Lamartine, que, se vencido, voltava ao início e tentava novamente. Cabra bruto! Saímos desta primeira sequencia de mata numa área cheia de singles. A área é linda, com singles pelo alto dos morros, parecido com os singles do Alto Delírio, mas o cansaço não nos permitiu curtir a paisagem.

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Subimos, descemos, subimos, descemos. Numa subida cheia de pedras soltas, comprei outro terreno. Enrosquei-me numa pedra e quando vi já estava no chão. O pedal me prendeu novamente. Desta vez machuquei um pouco o braço e resolvi tomar providências: tirei a sapatilha, limpei o barro e passei óleo nos clipes. Segui mais cuidadoso do que nunca pois a bruxa estava solta.

Chegamos numa parte mais alta e pudemos ver por onde passamos, e por onde passaríamos. Região selvagem, com muita mata e poucos sinais de civilização. Antônio Pedro já pedia pra “relaxar um pouco” e quase todos estavam sem água. No início do pedal, quando vi o pessoal levando apenas um litro d’água na bike, já imaginei que teríamos problemas. Eu levei dois litros, mas apenas 500ml me restavam.

Adentramos nas matas da fazenda Grotão. A definição do termo grotão já diz tudo: “depressão profunda que se situa entre montanhas de relevo fortemente desnivelado”. Os singles da Grotão são ótimos. O problema é se perder lá dentro. Numa passagem de cerca, dentro da floresta, um outro grupo de ciclistas nos alcançou. Deixamos eles passarem, mas não adiantou muito pois eles estavam no mesmo ritmo nosso. Eles pararam para colher goiabas e nós os passamos novamente. Numa descida lisa, eles chegaram novamente. Um deles, meio maluco, resolveu passar todo mundo pelo single track, mas, no meio do caminho tinha uma árvore. Ele bateu forte o peito na árvore e caiu. Envergonhado, levantou-se, pegou a bike e continuou. Mais à frente o encontramos novamente, sentado sozinho, comendo um sanduíche.

Aí a trilha deu uma bagunçada. Meus óculos estavam embaçando muito e tirei-os. Foi a última vez que os vi. Nos perdemos. Uma árvore caiu bem na entrada de uma bifurcação e passamos direto. Voltamos, nos embrenhamos no mato fechado, arrastando a bike, e reencontramos o caminho. E tome mato, e trilha, e a galera sem água ia se arrastando. Saímos do mato num aceiro. Pulamos uma cerca e fomos descendo por ele. Mato dos dois lados, capim alto e uma single track descendo. Fomos por ela e acabamos passando pela entrada da última parte de mata fechada. Tivemos que voltar. Algumas centenas de metros morro acima, até acharmos a entrada. Numa hora dessas, com aquele calorão e falta d’água, qualquer perdidinha é desanimadora. Entramos na trilha, agora subindo, cerca de 3 kms até finalmente sairmos do Grotão e chegarmos na estrada. Resultado até o momento: 4 horas de trilha e 20 kms rodados. Não rendeu nada.

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Mas agora seria diferente. Seguimos pelo estradão. Compartilhei um pouco da água que me restava com o Írio. Eu lembrava que à frente havia um riacho de água limpa, da qual bebemos na última vez que fiz o Grotão, só não sabia quanto à frente ele ficava. Mas logo chegamos. A água não estava tão limpa como da outra vez. Mesmo assim, a galera não se segurou. Espremeram limões que tinham colhido pelo caminho e misturaram com a água do riacho. Isotônico natural, com muitos sais minerais (da água suja) e sabor limão. Nos refrescamos no riacho e refizemos as forças para continuar. Um empurra-bike nos fez passar por uma chácara onde havia água potável, e há menos de 200 metros de onde a turma tomou água do riacho.

Continuando, estávamos ávidos por chegar num bar e poder comer alguma coisa. E assim, depois de 4 kms, chegamos na comunidade Sarandi, onde finalmente achamos um bar. Coca-Cola, água e salgadinhos aplacaram nossa fome e sede. Alguns tentaram também comprar um bicicleta motorizada que estava estacionada, mas o proprietário não quis fazer negócio.

De volta à trilha, passamos pela Embrapa. Depois de uma pouco de trilha, chegamos na Cachoeira da Embrapa, onde tomamos mais um banho.

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A outra turma estava por lá também e o rapaz que trombou na árvore mostrou o estrago feito: uma grande mancha vermelha do lado direito do peito. Depois de alguns minutos de descanso, reabrimos os trabalhos para a empreitada final. A trilha que sai da Embrapa não é das mais difíceis, mas a esta altura do campeonato, não foi fácil. Single track no meio do cerrado, subindo o morro, com muitas pedras soltas. Chegamos no final do single muito cansados.

Quando chegamos no estradão uns diziam que era mais rápido ir pelo asfalto, outros diziam que era mais rápido por dentro, passando próximo ao condomínio Alto da Boa Vista. Então a turma rachou. Uma parte resolveu seguir pelo asfalto e a outra resolveu voltar por cima e descer as “Três Paredes”. Zénrique e Mazza foram pelo asfalto e o resto da turma seguiu por cima. Estávamos muito cansados e queríamos voltar logo pro Jequitibá. A minha escolha não foi a mais rápida mas, com certeza, mais prazerosa.

Segui para o Alto da Boa Vista, com a maioria. Pegamos alguns singles pela área chamada de Pinheiral, nos perdemos um pouco, passamos por alguns lamaçais, mas achamos a entrada das “Três Paredes”. A descida é radical. Trilha com muitos pedregulhos e valas. São três lances de descida, daí o nome. E felizmente ela termina muito perto do Jequitibá. Foi só descer até ele, sem mais nenhuma subida.

Quando chegamos os dois desgarrados já tinham até trocado de roupa, embarcado as bikes nos carros e prontos para irem pra casa. E foi isso que nós também fizemos.

No caminho pra casa encontramos um homem bêbado andando pelo meio da BR-020. À noite o jornal local noticiou que o sujeito acabou causando um grave acidente e foi preso: http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2013/04/homem-embriagado-tenta-atravessar-rodovia-e-causa-acidente-no-df.html

Mas diz aí Antônio Pedro, como foi a trilha:

“Não tenho condições psicológicas de lembrar de nada do que se passou na trilha a não ser o sofrimento de tanto morro e o cansaço físico e mental da trilha!!!”

É verdade, resumindo, foi isso!

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2 comentários sobre “Trilha do Urubu – 06/04/2013

  1. qual foi o km do percurso total? fera parabéns, dias assim são poucos na vida de alguns desbravadores!!! top o pedal

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