Trilha do Índio, Pedra Fundamental e Castelinho – 26/01/2019

Brasília, 26 de janeiro de 2019

por Evandro Torezan

https://www.strava.com/activities/2104677593

Dia de pedalar em Sobradinho. Além de mim, quem embarcou na aventura foram os amigos Sílvio Sá, Rogério Rodrigues e Daniel Muniz. Sílvio e eu fomos de carro até o ponto de encontro, o Parque dos Jequitibás. Rogério e Daniel vieram pedalando desde o Varjão. Começamos a trilha às 8h.

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Subimos a Avenida Central até a BR-020. Seguimos por trilhas single nas margens da rodovia até atravessá-la por passarela. Do outro lado, seguimos no sentido de Planaltina por três quilômetros até entrar em estrada de terra que margeia área de cerrado da Embrapa. Pegamos trilhas single nesta área para chegar ao Núcleo Rural Córrego do Arrozal.

Entramos no Parque Ambiental Colégio Agrícola de Brasília, onde há grande reserva de cerrado com várias trilhas técnicas, lagoas e nascentes dos córregos Larguinha e Arrozal. É cerradão bonito, com grandes árvores nas áreas mais úmidas.

Ficamos subindo e descendo as trilhas, passando por trechos como Subida do Galo, Trilha do Pajé, Cascalheira, Trilha do Velho Índio, Trilha da Oca, Trilha do Índio.

A parte mais famosa é a Trilha do Índio, que é o nome comumente usado para referenciar trilhas pela região. Dizem que ganhou esse nome pois um ciclista apelidado de Índio costumava pedalar sempre por lá.

Ponto de destaque na Trilha do Índio é o alto de uma ladeira cascalhada, de onde se tem bela vista do horizonte e uma placa traz mensagem significativa para o MTB: “Onde muitos veem perigo, vemos diversão.”

Para sair da área do parque, pegamos single fantástico, descendo até uma estradinha de chão. Chegamos à DF-128, rodovia de terra que segue em direção ao Morro do Centenário. Lá está a Pedra Fundamental de Brasília, marco histórico do Distrito Federal.

Olhando desde o alto do Morro do Centenário, a DF-128 apresenta-se bem comprida e o paredão de mata na borda da chapada parece uma muralha intransponível.

Pedra Fundamental

O obelisco em forma piramidal, isolado no alto do morro, tem 3,75 m de altura. Suas faces estão orientadas pelos pontos cardeais e em sua face oeste há placa de metal onde se lê:

“Sendo Presidente da República o Excelentíssimo Senhor Dr. Epitácio da Silva Pessoa, em cumprimento ao disposto no decreto n.º 4.494 de 18 de janeiro de 1922, foi aqui colocada em 07 de setembro de 1922 ao meio-dia, a Pedra Fundamental da Futura Capital dos Estados Unidos do Brasil”

No ano de 1922 o Brasil completou cem anos de independência. Para comemorar a data, o então Presidente da República, Epitácio Pessoa, decretou a construção da pedra fundamental da futura Capital do Brasil. O decreto não estabelece local exato para a implantação, como algumas lendas sugerem, apenas determina que ela esteja dentro da área reservada para o Distrito Federal, o Quadrilátero Cruls, demarcado em 1892.

Quem observa o pequeno monumento isolado no morro não consegue imaginar a difícil empreitada que foi construí-lo. Chegar àquela área selvagem no meio do Brasil não era nada fácil. O Presidente delegou a missão a seus subordinados.

A execução coube ao diretor da Estrada de Ferro Goiás, Balduíno Ernesto de Almeida, que trabalhava em Araguari/MG. Ele foi encarregado de construir e inaugurar a Pedra Fundamental, porém foi informado da missão quando faltavam apenas dez dias para a data.

Araguari fica a 450 km de Planaltina. A estrada de ferro ia até Ipameri, faltando ainda 150 km. Balduíno teve que organizar, em poucos dias, engenhosa expedição. O obelisco foi construído em concreto, em Araguari. A placa de bronze foi despachada de São Paulo, chegando à cidade mineira em 1º de setembro às 10h30 da manhã. Às 11h, partiu de Araguari o trem especial com toda a comitiva, as “pedras” de concreto, cimento, ferramentas, alimentos, e 15 veículos fretados, chegando a Ipameri ao anoitecer.

O restante do trajeto foi pelas precária estradas do Planalto Central. Balduíno chegou a Mestre d’Armas (Planaltina) no dia 3 e no dia 4 escolheu o local onde construiria o monumento, que batizou de Morro do Centenário. Os caminhões chegaram no dia 5. No dia 7, às 10h, ficou pronto o monumento. Às 12h, Balduíno Ernesto de Almeida, começou a içar a Bandeira Nacional ao som do Hino Nacional executado pela bandinha de Planaltina, acompanhada de marcha batida por clarins de batalhão do Exército que veio de Ipameri, perante autoridades locais e representantes, e uma centena de outras pessoas da região que foram ao local a cavalo.

Fonte: http://doc.brazilia.jor.br/HistDocs/Congresso/1922-09-07-pedra-Fundamental-lancamento.shtml

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Depois de conferido e registrado o local histórico, seguimos nosso caminho adentrando em lugar misterioso. Do obelisco, avista-se ao sul uma pirâmide feita de tubos brancos, com quatro metros de altura. Pouco antes da entrada pequena placa registra o nome da área: Fazenda Roda e Cruz.

Roda e Cruz

Roda e Cruz é uma sociedade dedicada ao Cristianismo Budista, daí seu símbolo: a Roda do Dharma (budista) sobre a cruz (cristã). Além da fazenda, existe também a Editora e Livraria Roda e Cruz, dedicada à disseminação das obras relacionadas ao Cristianismo Budista.

Fonte: http://www.rodaecruz.com/

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Passada a pirâmide, seguimos pelas estradas de chão até que, do alto, avistamos uma torre isolada no alto de um morro. Os ciclistas de Sobradinho chamam o lugar de Trilha do Castelinho.

Pedalamos até a torre. Ela tem 9 m de altura, base circular de 3 m de diâmetro, tem uma porta e pequenas janelas próximas ao teto cônico. O nome correto é Torre de São Columbano. Dentro dela há um oratório. No topo, a cruz e a roda, símbolo da instituição, que também está representada no flanco oeste do morro, construída com pedras pintadas de branco, que podem ser vistas de longe. A imagem de satélite é surpreendente.

Descemos o Morro da Roda e Cruz, atravessamos a cerca e saímos da fazenda beirando o Córrego do Meio. Tínhamos que subir para voltar a Sobradinho. O caminho escolhido foi a Subida do Areal. Cruzamos o córrego e continuamos pela DF-330, também de terra, até a entrada de uma fazenda entre o Córrego do Meio e o Ribeirão Sobradinho. A Subida do Areal não é tão íngreme, tem pouco menos de 1,5 km, inclinação média de 8% e máxima de 13%. O mais difícil ali é o terreno, com muitas valas, pedras soltas e buracos. Pra quem gosta de trilha técnica, é um ótimo lugar para pedalar. Nas partes planas, onde as pernas descansariam um pouco, há bancos de areia, ou seja, nada de alívio. É preciso fazer força para não ser parado pela areia fofa. A subida termina na entrada da lavra de areia e calcário da empresa Bracal, vindo daí o nome da trilha.

Com 40 kms de pedal, Rogério e Daniel deixaram-nos pois voltariam ao Varjão. Seguiram em frente numa bifurcação enquanto eu e Sílvio pegamos a estrada à direita. Logo chegamos à DF-440, a Rota do Cavalo. A rodovia de asfalto ganhou esse nome devido à concentração de ranchos, haras e centros de equitação.

Quase no final, mais de 13h, encontramos um bar na beira da estrada e paramos para tomar algo gelado.

Nuvens de chuva ameaçavam nos alcançar, vindas dos lados do Plano Piloto. A Torre de TV Digital destacava-se no horizonte, contrastando sua cor branca com as nuvens escuras.

Não demorou para chegarmos à BR-020 e então foi só atravessar a rodovia e descer até o Jequitibás.

Trilha concluída com 54 km e 990 m de subida acumulada.

Antes de voltar para casa, aproveitamos para almoçar no Chicão Ceará, prato feito com porção de carne a preço justo, na Avenida Central, bem perto do Parque dos Jequitibás.

Obrigado aos amigos que compareceram. Companheiro é companheiro …

4 comentários sobre “Trilha do Índio, Pedra Fundamental e Castelinho – 26/01/2019

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