9º Piriporra – Aniversário do Júnior Porra – 09/11/2019

por Evandro Torezan

Brasília, 9 de novembro de 2019

https://www.strava.com/activities/2852921557

Júnior Porra

O Piriporra é um evento anual que há nove anos comemora pedalando o aniversário de José Teixeira Marques Júnior, o Júnior Porra.

– Como é seu nome?
– Meu nome é Júnior, porra!

Assim Júnior ganhou seu apelido. Tudo começou em 2011, áureos tempos do Pedáguas. A partir de 2014, o evento passou a ser organizado pelo amigo Wilmar Castro.

Em 2018, fiquei de fora. Havia acabado de percorrer o Caminho de Cora Coralina e perdi a inscrição do Piriporra. Dei sorte! Choveu muito. Quase ninguém chegou a Pirenópolis e as bicicletas ficaram muito danificadas. Teve ciclista que gastou quase dois mil reais para consertar a magrela.

Em 2019, o pedal começou em Girassol, distrito de Cocalzinho de Goiás, a 68 km do centro de Brasília. O evento desse ano teve muitas inscrições. Os amigos de Júnior aderiram em peso à comemoração, totalizando quase cinquenta ciclistas: Alessandro Lima, Alexandre, André, Antônio Pedro, Arnaldo, Avelino, Brunno, Carlos Andre, Carlos Viana, Cícero, Dario, Dinho, Edgar, Érica, Fábio Seixas, Fabrício, Helvécio, Igor, Nilton Japa, Jefferson GT, João Borges, Júnior Porra, Júlio, Julyson, Junior Caveira, Léo Coutinho, Léo Marques, Lídia Hernandes, Luciano, Magno, Marcio Bolognani, Marcos Hernandes, Marcos Tanaka, Neilson, Rodrigo, Rogério Rodrigues, Sérgio Pires, Sérgio Reis, Sílvio Sá, Wellington, Will, Wilmar e eu.

Reunimo-nos no Posto Petrobrás próximo ao Metropole Shopping de Águas Claras para embarcar nas três vans contratadas para o evento. Nilton Japa, que havia bebido além da medida na sexta-feira, estava de ressaca, enjoado. Quando cheguei ao posto, ele estava tomando remédio pro fígado.

As vans levaram-nos até Girassol. Pelo caminho, cantamos o primeiro “parabéns pra você” do dia. Chegamos por volta de 7h. O irmão e amigos de Júnior Porra, moradores de Goiânia, estavam lá nos esperando: Ricardo Arara, Ricardo Toledo, Augusto, Fábio. Eles trouxeram mountain bikes assistidas, que têm um motor elétrico que ajuda o ciclista a pedalar.

Enquanto as bikes eram descarregadas, corri para comer minha marmita de batata-doce e frango. Quando desci da van com a mochila na mão, cachorrinho colou em mim. Deve ter sentido o cheiro de comida. Quando me sentei numa mureta para comer, ele encostou o pescoço em meu pé e ficou esperando que eu lhe desse algum naco de comida. Esperto, hein! Claro que conseguiu uns pedaços de frango.

Quando terminamos os preparativos, fomos saindo aos poucos e parando numa padaria a duzentos metros do posto, onde alguns ciclistas tomavam café da manhã. Foi ali que Wilmar deu os avisos finais. Cantamos o segundo “parabéns pra você” e partimos.

Saímos da cidade pelo norte. A vista lá do alto é linda. Há belas serras praqueles lados, entre os rios Pirapetinga e Verde.

Segui com Carlos André, de Águas Lindas, que pela primeira vez pedalava conosco. Logo fizemos curva para oeste e seguimos paralelo ao Ribeirão Pichuá, até fazer curva para o sul e voltar à BR-070. Atravessamos o asfalto e continuamos por estrada de chão do outro lado, descendo até cruzar o Córrego Contagem. Metemo-nos pelas fazendas da área até chegar a Edilândia aos 27 km de pedal.

Paramos no Posto Edilândia, à margem da BR-070. Fofão estava lá com sua van. Alguns aproveitaram para comer alguma coisa. Eu descansei quinze minutos e voltei para a atividade. Parti com Carlos André e Sérgio Reis.

A saída de Edilândia dá um alento ao ciclista. Até parece que vai ser fácil. Descida forte conduz-nos até cruzar o Rio Areias, que não passa de um riacho nesse ponto, ainda próximo de suas nascentes. O problema é que a subida após o Areias é mais longa que a descida.

Sobe-se por três quilômetros por área de mata, até cruzar o divisor de águas entre o Areias e o Córrego dos Borges. Foi aí que encontrei o pelotão formado pelos amigos Alessandro Lima, Dinho, Julyson, Júlio, Júnior Caveira, etc. Decidi que seguiria com eles. Então, descemos até cruzar o Córrego dos Borges e começamos a subir a Serra do Quilombo. É um lugar muito bonito. Há trechos de mata, cerrado e campos nativos. De vez em quando eu encontrava algum cajuzinho. Terreno inóspito, esqueletos jaziam pela estrada.

Enquanto subíamos, Júnior Caveira disse que eles iriam parar no Poço Oásis. Como eu não conhecia o lugar, decidi que iria com eles. Pois quando chegamos numa antiga extração de areia, houve confusão. Alguns colegas que estavam na frente, capitaneados por um ciclista com camisa do grupo Presuntos do Cerrado (Edgar, Márcio e Luciano), não encontraram passagem e voltavam, dizendo que era melhor contornar a área. Fiquei ali analisando o tracklog e acabei me afastando do pelotão que eu seguia. Vi Júnior Caveira seguindo próximo, pegando o contorno, e acelerei para alcançá-lo, mas ele desapareceu. Acelerei mais, mas não o vi. Enquanto eu corria para alcançá-los eles já estavam no Oásis.

O Poço Oásis fica numa das valas mais profundas dessa extração de areia desativada. A escavação atingiu o lençol freático e inundou o buraco. A água é verde-esmeralda e quentinha. O tracklog passava por lá, mas fui na onda dos ciclistas desnorteados e acabei perdendo a chance de conhecer o lugar.

Passei pelo alto da Subida 4×4. Segui acelerado mas logo percebi que os meus amigos haviam ficado. Diminuí o ritmo para ver se eles alcançavam-me, mas não adiantou. Dali pra frente, segui quase sempre solitário. No alto da Serra do Quilombo a estrada é arenosa, o que dificulta a subida, tanto que fui encontrando restos de ciclistas pelo caminho.

Se o lugar onde Judas perdeu as botas é longe, imagine esse aí, onde o ciclista perdeu o solado da sapatilha.

Desde o Córrego dos Borges, foram mais de onze quilômetros subindo quase o tempo todo, o mais longo trecho de subida do percurso. No final da serra, em vez de pegar à esquerda como de costume, no sentido da Serra do Bicame, o tracklog seguiu pela direita, estrada que nos levou à Serra das Areias. Começou aí um zigue-zague cansativo.

Estrada na Serra das Areias

A estrada segue margeando floresta de eucaliptos até virar à esquerda. Bem nessa curva há um estrada bem larga, uma rotatória feita de pedras pintadas de branco e um grande portal.

Ali perdi a chance de conhecer outro lugar muito bonito: a Cachoeira Sonho Meu. Era só seguir por dois quilômetros. Sílvio Sá foi o único a visitar o local.

Desci a Serra das Areias e passei por várias propriedades rurais, pastagens e áreas nativas. Passei a vau pelo Córrego de Areia. Depois, outro córrego, por ponte. Ao meio-dia cheguei ao Córrego Corredor. A passagem é a vau. Riacho limpinho, saindo de vereda próxima. Aproveitei para aliviar o calor. Entrei na água com roupa e tudo.

Decidi esperar um pouco para ver se alguém aparecia. Aproveitei para lanchar, já que era hora do almoço. Comi atum, pão, amendoim japonês, rapadura de sobremesa. Entrei novamente na água. Trinta minutos parado e nada, ninguém apareceu. Decidi continuar. Quando me preparava para sair, chegou pelotão de três ciclistas. Eram os Presuntos. Eles não quiseram parar. Terminei de arrumar-me e parti.

Logo encontrei-os. Segui com eles por alguns quilômetros, mas eu queria chegar logo em Cocalzinho e acabei abrindo vantagem. O zigue-zague continuou. Passei pelo Córrego da Lixeira e subi até o ponto mais alto de todo o percurso: a Serra do Bicame. Dali do alto até Cocalzinho é moleza! Quase só descida, com o Morro Cabeludo e os Picos dos Pirineus decorando o horizonte à frente.

Descendo a Serra do Bicame para chegar a Cocalzinho de Goiás. Morro Cabeludo e os Picos dos Pirineus ao fundo.

Cheguei a Cocalzinho às 13h. A van e alguns ciclistas fritos estavam por lá. Tomei isotônicos, comi um disco de carne numa lanchonete, abasteci meu camelbak que estava seco. Dario avisou-me que ninguém estava indo pelo trecho do Caminho de Cora Coralina . Até ali, não tinha passado pela minha cabeça seguir por outro caminho, estava até curioso para ver como a área vinha se recuperando desde o incêndio que sofreu em setembro. Porém, diante do alerta de que ninguém estava indo por lá, pensei em alternativas. Os Presuntos chegaram vinte minutos depois. Convidei-os a irem comigo mas eles estavam cansados e iriam almoçar. Eu não iria esperar outro grupo chegar pois deveriam demorar. Às 13h30, parti. Decidi seguir pela BR-070, que de Cocalzinho até Pirenópolis é estrada de chão.

Cruzei Cocalzinho pelo oeste até pegar a BR-070. Nos quinze quilômetros de BR que percorri, há quatro riachos cujos vales criam tobogã cansativo. Dois desses riachos não tem ponte, sendo a travessia feita a vau.

Próximo à foz do Córrego Catingueiro junto ao Ribeirão do Inferno fica a Cachoeira do Coqueiro. Ali começa uma estrada que sobe a Serra dos Pirineus, subida com forte inclinação. São três quilômetros com 188 m de variação altimétrica. Foi a subida mais difícil do dia.

Chegando ao alto, tudo ficou mais fácil. Passei pelo Mirante do Ventilador, tirei algumas fotos.

Mirante do Ventilador

Quando estava saindo, vi alguns carros vindo pela estrada. Como estava logo depois de uma curva, não tinha como ver o trânsito que chegava. Fiquei esperando todos passarem, e foram cerca de dez carros.

Desde o mirante, são quase cinco quilômetros de descida até o início do asfalto da Rodovia Parque dos Pirineus. A estrada é esburacada, cheia de curvas, território das mountain bikes. É só soltar o freio e curtir a descida, passando rápido pelos carros que seguem devagar, desviando de buracos e valas. Ultrapassei todos os carros que haviam passado por mim.

Cheguei ao asfalto. Continuei descendo até o Rio das Almas e depois segui para Pirenópolis, onde cheguei às 15h. Encontrei os amigos que vieram na frente num bar ao lado da ponte do centro da cidade. 

Eu pedalei 101 km, com 1888 m de ganho altimétrico.

Enquanto nós descansávamos em Pirenópolis, o resto da turma ainda estava na trilha. A maioria encerrou o pedal em Cocalzinho. Alessandro Lima e Julyson foram os únicos a encarar o trecho do Caminho de Cora Coralina. Júnior Porra emprestou a bike assistida do irmão e chegou a Pirenópolis pedalando sem fazer força.

Enquanto esperávamos, aproveitei para tomar banho no Rio das Almas e aplacar o calor de mais de trinta graus que nos castigava. O poço e a pequena cachoeira que ficam embaixo da ponte do centro da cidade são pontos turísticos muito visitados pela população.

A van chegou às 16h, trazendo a galera que parou de pedalar em Cocalzinho, e às 18h partimos de volta para Brasília.

Na van em que voltei, a viajem foi tranquila. Tinha uns caras que nunca bebem e, como tomaram alguns goles de cerveja, estavam mais alegres do que o normal. Júnior Porra e Dinho estavam estranhamente comportados. Já na van que o Alessandro Lima e Dario voltaram, disseram-me que zoeira foi forte. A pergunta que não quis calar: Quantos quilômetros você pedalou? 🙂

Independente da quilometragem, de ter completado ou não a trilha, o importante foi reencontrar os amigos e comemorar mais uma vez o aniversário de Júnior Porra. Parabéns, Júnior, pelos seus 62 anos.

4 comentários sobre “9º Piriporra – Aniversário do Júnior Porra – 09/11/2019

  1. Muito bom mesmo reencontrar os amigos. Nunca deu certo de ir nesse evento. Mais uma vez fiquei com agua na boca. Quem sabe no próximo?!
    Parabens ao Junior Porra!

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  2. Apesar de ter comprado um terreno bem grande nesse dia, foi um dos dias mais felizes e sofrido ao mesmo tempo. Eternizado em minha memória esse dia. Parabénspelo texto e resumo desse dia Evandro,

    Curtido por 1 pessoa

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