Fazenda Preto Velho – NEX (No Extinction)

por Evandro Torezan

Brasília, 18 de janeiro de 2020

https://www.strava.com/activities/3022885363

A trilha Preto Velho estava em meus planos do ano passado, mas acabei não conseguindo fazê-la. Geralmente, começamos o ano com trilhas leves, para a turma voltar à atividade gradualmente, mas o grupo Apavorantes lançou logo a Preto Velho no terceiro final de semana de janeiro. Eu acho que perdi o aquecimento, pois essa trilha não é moleza.

Meu objetivo principal ao fazer essa trilha era conhecer o NEX (No Extinction), ONG dedicada à preservação de felinos selvagens, principalmente onças. O NEX fica na Fazenda Preto Velho, município de Corumbá de Goiás, a 5 km do distrito de Aparecida de Loiola. O problema é que para visitar o local é preciso agendar, o que tentei fazer durante a semana mas não consegui. Dependeríamos da sorte. Se a fazenda estivesse de porteiras abertas, tentaríamos visitá-la.

Saí de casa pedalando às 5h30 da manhã. Encontrei Carlinhos Vidonésio em sua casa e seguimos de carro até a Cidade Eclética, comunidade religiosa no município de Santo Antônio do Descoberto, localizada a 16 km do centro da cidade.

O grupo que encarou a trilha ficou assim:  André Magoo, Carlinhos Vidonésio, Josemilton-Tudo-Junto, Gustavo Mota, Dira, Lcaso TVN, João Campos, Fernando, Alexandre Sena, Edson Ceará, Gustavo Zaranza, Divininho, Pablo e eu.

Partimos pontualmente às 7h da manhã, debaixo de neblina.

Saímos da cidade pelo norte, pela rodovia GO-547. Os primeiros 5 km são de asfalto, depois é estradão até o final.

A neblina dissipou-se rapidamente conforme o sol foi esquentando. Felizmente, o velho ditado que diz “neblina que baixa, sol que racha” não se confirmou. O sol continuou tímido, escondido entre nuvens.

A estrada estava com muitas poças d’água. Pelo jeito, choveu muito na região durante a madrugada. O Rio do Macaco, primeiro rio que cruzamos, estava agitado e com águas barrentas.

A saída do seu profundo vale é pesada. Dali até a próxima comunidade do caminho, subimos muito.

Alcançamos a BR-070 e seguimos até Girassol, onde chegamos depois de pedalar 24 km. A turma parou num bar para reagrupar, mas quando eu passei, não os vi e segui só. Pensei que eles tinha acelerado. 

A trilha seguiu pelo norte da BR-070, por estradas de terra. Dali era possível avistar a Serra dos Pirineus ao longe.

Quando me reaproximava da BR, a turma alcançou-me e explicaram que tinha parado em Girassol. Daí entendi por que não os vi: havia um ônibus parado na frente do bar.

Atravessamos novamente a BR-070 e voltamos para as estradas ao sul da rodovia. Cruzamos o Córrego Contagem e depois o Rio Areias, que estava caudaloso e barrento. Entramos em área mais selvagem. Grandes trechos de cerrado preservado e matas ciliares sadias nos rios e córregos. Numa encruzilhada, uma placa indicava a direção de Aparecida de Loiola, e algumas pegadas de onça desenhadas na placa nos deixaram em alerta: estávamos chegando ao NEX. Mergulhamos ainda mais naquela área selvagem. 

Ao passar por um córrego, Fernando e João Campos avisaram-me: “Olhe aí as grades do NEX.” Parei e tentei enxergar alguma onça ali da estrada. Quando avistei uma onça pintada, ela já me encarava. A cerca de 20 metros da estrada, dentro de um jaula, ela observava-me atenta.

Terminei a subida do riacho e cheguei ao NEX.

Ao lado da estrada de acesso estão as primeiras jaulas. Nelas estavam algumas onças pardas. Encostamos as bicicletas numa cerca e esperamos alguém autorizar a visita. Bem na frente de onde deixamos as bikes há um grande viveiro cheio de araras azuis, vermelhas e canindés.

Rogério, gerente da ONG, veio nos receber e permitiu que fizéssemos uma rápida visita. Ele pediu para um funcionário da fazenda, Luisão, guiar-nos pelo lugar.

Primeiro fomos ao recinto das onças pardas, aquele que tínhamos visto logo na entrada. Havia quatro onças na jaula. Os machos são maiores que as fêmeas, mas a diferença não é tão grande. Depois passamos pelas pintadas. Aí sim a diferença de tamanho é gritante. A cabeça do macho chega a ser desproporcional em relação ao seu corpo.

Mesmo longe das grades, a proximidade com esses animais selvagens nos deixa em alerta. As onças também ficam em alerta, tanto que algumas fixam o olhar e acompanham nosso movimento com muita atenção.

Não sei a quantidade total de onças que há no NEX, mas eu contei treze. Além das onças que estão em cativeiro, algumas que vivem livres visitam o local esporadicamente, como foi registrado nesse vídeo: 

Essa onça melânica é Xangô. A Fazenda Preto Velho faz parte de seu território. Ela é monitorada pelo Ibama.

Terminada a visita, reabastecemos nossos reservatórios de água e voltamos à atividade. Próxima parada: Aparecida de Loiola (Aparecidinha).

Capela de Aparecida de Loiola

O NEX fica a 5 km de Aparecidinha. Chegamos rápido ao pequeno distrito de Corumbá de Goiás. Paramos no Mercado do Nenzinho para lanchar.

Partimos por volta de 11h30. Faltavam 22 km. Os primeiros 12 km percorrem os vales dos rios Ponte Alta e Areias. É um sobe e desce constante, sem trechos planos, que vão minando a resistência dos ciclistas.

Mas é depois de cruzar novamente o Rio do Macaco, que havíamos cruzado em outro local logo no início de nossa trilha, é que o caldo entorna. O trecho entre o Rio do Macaco e Cidade Eclética é um belo desafio. São 10 km com quase 300 m de ganho de elevação. O negócio é pedalar e apreciar a paisagem.

A estrada sobe os chapadões do Planalto Central até voltar à Cidade Eclética.

Terminamos a trilha por volta de 13h.

Foram 81 km com 1.684 m de subida acumulada. Nada mal para começar o ano.

6 comentários sobre “Fazenda Preto Velho – NEX (No Extinction)

  1. Que massa Evandro! Tenho boas, porém duras lembranças dessa região, na época do nosso Pedaguas. Morro de saudades dessas trilhas. Parabéns por mais essa.

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