Expedição Terezópolis – 18-04-2004

Terezópolis de Goiás, 18 de abril de 2004

por Evandro Torezan

Expedição Terezópolis

Mais uma corrida de aventura. Falei pra turma: – Dessa vez temos que levar um trofeuzinho. Eles deram risada: – Medalha, medalha, medalha!!!

Dessa vez, a Aclive Adventure organizou a corrida mais perto, em Terezópolis de Goiás, duzentos quilômetros de Brasília. Às 7h da manhã estávamos na praça da cidade. Tugart e Rafael, dessa vez, chegaram cedo. A equipe Pé na Trilha ficou assim: Evandro Torezan, Edson Murakami, Rafael e Tugart.

Recebemos os mapas às 8h e começamos a marcar os pontos. Plastificamos o mapa e pronto.

 


Às 9h foi dada a largada. Nunca participei de uma corrida com tanta gente. Começou às margens da BR-060, rodovia que liga Brasília a Goiânia.

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Teríamos que entrar à esquerda na primeira esquina, a 20m da largada. Todos foram pra lá. Quase uma centena de bikers correndo como loucos pela estreita rua. Um cachorrinho, pego de surpresa, foi atropelado. Deu dó do bichinho. Latia desesperadamente. Mas deu um jeito e saiu do meio da rua.

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Logo deixamos a cidade e entramos na zona rural. Este trecho, da cidade até o PC1, foi o mais disputado. Tugart e eu fomos os primeiros a chegar na primeira bifurcação. O resto da equipe ficou para trás, no meio do furdunço. Passamos por uma porteira e pegamos longa descida. Seguimos por trilhas estreitas e chegamos numa casa. Foi aí que cometemos o erro que nos tirou os troféus das mãos. Deveríamos passar por uma trilha ao lado da casa e, duzentos metros depois, estaria o PC1. Mas, em vez disso, subimos outra trilha, em frente à casa. Acabamos nos perdendo, demos uma volta enorme, pegamos várias trilhas erradas e, por fim, encontramos o PC quase uma hora depois. Ele estava no topo de um morro e bastou descer alguns metros para chegar na casa onde perdemos o rumo.

Alguns lamentos depois estávamos novamente em Terezópolis. Agora era seguir o asfalto por sete quilômetros rumo a Goiânia. Ir foi fácil, só descida, voltar é que foi o problema. Passamos pelo PC2, que estava a dois quilômetros do asfalto, em uma pequena estrada de terra. Para voltar, enfrentamos os tais sete quilômetros, agora subindo. Para economizar energia, subimos em fila, uma “na roda” do outro, no vácuo. Estabelecemos um velocidade e seguimos. Quando a velocidade caía, o segundo do pelotão assumia a ponta e o primeiro ia para o último lugar. No começo, até funcionou, mas depois que assumi a ponta, ninguém mais me passou. O pessoal estava lento. Eles diziam: “Evandro, segura que tá muito forte.”, eu diminuía, dalí a pouco: “Evandro, segura.”. E foi assim até Terezópolis. Mesmo segurando, cheguei uns 200 m na frente do pessoal. Depois eles ficaram perguntando o que eu tinha comido pra estar tão forte. Bem, pode ter sido as duas pizzas que comi no sábado, ou a vitamina de açaí, abacate e banana que tomei no café da manhã.

O PC3 estava na Fazenda Santa Branca, onde houve uma corrida no ano passado. Para chegar lá, partindo de Terezópolis, havia dois caminhos: um passando por dentro da cidade e outro continuando a rodovia rumo a Brasília. Preferimos subir a rodovia pois considerávamos ser o caminho mais curto. Foi uma escolha ruim. O pneu da bike do Tugart furou. Se tivéssemos pegado o outro caminho ele não teria passado em cima daquele maldito pedaço de arame. Perdemos mais de meia hora consertando o pneu. Aproveitamos a parada para almoçar. Consertado o pneu, continuamos a forte subida, o que nos desgastou bastante, mas, depois dela, foi só descida até a fazenda.

Deixamos a bike no PC3 e fomos correndo até o PC4. Era apenas um quilômetro. Chegando, pegamos o cavalo do run&ride, aliás, ô cavalinho ruim! Só pensava em ir para o barranco comer capim.

Eu nunca havia participado de uma corrida que tivesse run&ride. Tal modalidade funciona assim: a equipe recebe um cavalo, apenas um, ou seja, no nosso caso, três integrantes seguiram correndo e um seguiu montado no cavalo.

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A Fazenda Santa Branca explora suas terras não só com agricultura e pecuária, mas também com turismo. As belezas naturais que foram mantidas servem de paisagem para um hotel fazenda. Há matas, rios, represas, chalés, área para camping, cavalos e até uma tirolesa de trezentos metros.

Seguimos com o cavalo pelas estradas da fazenda, passando por rios e matas. Entramos numa trilha às margens de uma represa até chegarmos ao PC6, que era virtual (o PC5 foi cancelado). Ali pegamos um cadeado, que deixaríamos mais à frente (a chave tinha nos sido dada no início da corrida). Só o Edson e o Rafael chegaram ao PC6. Tugart e eu ficamos esperando a cerca de 500 m, numa sombra. Voltamos revezando o cavalo até o PC7. O sol, nesta ida e volta, estava muito forte. Eram 13h e não havia uma nuvem no céu. Esse trecho foi estratégico para a prova, mas nós jogamos errado. Não precisávamos ter ido todos até lá. Bastava que um de nós fosse com o cavalo que já resolveria o problema.

No PC7 foi só deixar o cavalo e ir para o PC8, no topo do morro de onde partia a tirolesa. Foi dureza. Tivemos que fazer paradas para descansar. Lá em cima começou a melhor parte da prova. Nos trezentos metros da tirolesa chegamos a oitenta quilômetros por hora. Ela termina dentro de uma grande represa. Banho gelado, para aplacar o calor.

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Assinamos a carta no PC9 (mesmo local do PC4) e pegamos as bikes novamente. Agora era bike até o final. Seguimos por uma trilha single até a estrada por onde havíamos chegado na fazenda. O PC10 era virtual, foi só prender o cadeado em uma corrente e subir pelo morro em direção ao PC11. Foram alguns quilômetros morro acima. O Edson, nosso navegador, parecia perdido. Paramos um motoqueiro para perguntar como voltaríamos para a Santa Branca. Ele nos disse para seguir em frente e pegar à direita na primeira porteira. Quando chegamos na tal porteira havia uma equipe parada trocando o pneu de um bicicleta. Nós realmente estávamos perdidos. Pegando a porteira estaríamos indo na direção contrária. Pedalamos cerca de cinco quilômetros margeando uma mata e encontramos o PC. Agora era voltar para a Santa Branca. O Rafael já estava pedindo para irmos mais devagar pois estava esgotado. Mas foi só descida até lá. Passamos pela porteira e alguns quilômetros depois estávamos na fazenda. O PC12 era no mesmo local dos PCs 4 e 9.

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Finalmente acabou. Estávamos exaustos.

Equipes de TV estavam por lá para registrar o evento.

Nossa posição? Quarta. Sacanagem né! Fizemos uma boa corrida. Mas estivemos sempre em quarto lugar, conforme apuramos nos PCs. Esse mau desempenho foi causado principalmente pelo nosso contratempo no PC1 e pelo caminho mau escolhido para chegar à Santa Branca. Depois soubemos que a estrada que passava pela cidade estava quase toda asfaltada.

Pois é, mais uma vez … nada de troféu. E eles eram bem bonitos.

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