Fazenda Lageado – Treinamento de Trekking – 24/10/2004

Botucatu, 24 de outubro de 2004

 

Como treinamento para o próximo enduro a pé, que seria no começo de novembro, resolvemos fazer as provas anteriores das quais não participamos. Fiquei sabendo que uma das provas foi realizada na Fazenda Lageado, do lado da minha casa, e foi esta que resolvemos fazer.

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Portaria da fazenda Lageado – Botucatu/SP

Entrei em contato com o Fernando, que foi um dos organizadores da prova e ele nos passou a planilha. Além do Jefferson e do Daniel, juntou-se a nós o Ricardo, um dos diretores da Staroup, onde trabalho, que, para minha surpresa, aceitou o convite do Daniel para participar conosco.

Nos reunimos em minha casa às 8h da manhã para fazermos os cálculos. Eu já havia acordado alguns minutos antes e fui melhorando a planilha que criei para calcular o percurso. Logo o resto da equipe chegou. O dia estava chuvoso.

Às 9h40 começamos a prova, que iniciou próximo à lanchonete universitária. Fazer o percurso de um prova que ocorreu meses atrás é um pouco complicado pois as marcações de pontos duvidosos foram retiradas e a vegetação já cresceu e cobriu algumas trilhas.

Logo na terceira referência já entramos num matagal de capim-colonião mais alto que nós. O capim tinha tomado a trilha toda e só haviam alguns resquícios que pudemos seguir. O Ricardo teve seu primeiro teste neste ponto: ele foi na frente abrindo passagem. Em certos pontos tivemos que passar engatinhando, por baixo da vegetação.

Depois de nos livrarmos do matagal chegamos numa rua asfaltada que passava pelo meio de um floresta de eucaliptos. Descemos por esta rua até a próxima referência, que era no entroncamento de uma estrada de terra que deixava o mato e ia até a rua onde estávamos. Aí começaram os erros. Eu tinha certeza que estava no ponto certo, mas a próxima referência, que eu interpretei como uma faixa de pedestres, não conseguia achar. Nesta hora, quando o navegador titubeia um pouco, toda a equipe começa a duvidar de sua precisão. É nesta hora que o navegador tem que se impor.

Seguimos pelo caminho que acreditei ser o certo mas não achávamos o bendita faixa de pedestres. Resolvemos voltar. Na volta passamos por alguns pequenos postes de concreto que impediam a passagem de carros. Não dei muita atenção aos postes e voltamos ao ponto onde a dúvida começou. Foi aí que a ficha caiu. Eu interpretei errado a planilha e na verdade a faixa de pedestres que eu procurava eram os postes de concreto enfileirados.

Agora estávamos no caminho certo mas muito atrasados. Então começamos a correr. Corremos pela trilha seguindo as referências tentando tirar o tempo perdido. Logo chegamos numa outra rua asfaltada. Aí nos perdemos novamente. Não encontrávamos as referências, parecia que estávamos em outro mundo. Mais tempo perdido. As referências não iriam bater nunca. Com a chuva, as páginas colaram e acabei puxando duas de uma só vez.

Agora sim, no caminho certo, tudo se encaixava. Passamos por uma cancela, saímos do asfalto e entramos numa estrada de chão. Andamos algumas centenas de metros pela estrada e entramos num pasto.

Neste local, além do pasto, haviam várias árvores. Era um pomar bem grande onde provavelmente os alunos da universidade fazem seus estudos. Tinha todo tipo de árvore ali dentro. Fomos seguindo as referências que agora eram baseadas em árvores e como já não haviam as marcações que a organização coloca durante as provas, ficamos na dúvida em várias delas. O ponto mais claro foi em três árvores que se fundiram e de longe pareciam uma só. Embaixo de suas copas parecia uma caverna. Mesmo assim progredimos. A dúvida surgiu novamente quando iríamos entrar na mata. O local de entrada era uma árvore onde a trilha começaria, mas haviam várias árvores e como o mato poderia ter crescido ficamos na dúvida. Enquanto o pessoal olhava as outras entradas eu fiquei analisando a planilha e vi que a próxima referência depois de entrar na mata era uma jaqueira. Então lembrei que uma das trilhas tinha uma jaqueira. Chamei todos e entramos na mata.

A mata era um verdadeiro labirinto vegetal. Haviam várias trilhas e sem a planilha a chance de perder-se era grande. Felizmente seguimos corretamente. Dentro da mata havia um bombardeio de gotas d’água que se lançavam das árvores devido à chuva. Enquanto andávamos dava pra ouvir o barulho de água aumentando e imaginamos que íamos parar numa cachoeira, o que não aconteceu. Paramos de descer em direção ao rio e começamos a subir. Mais alguns minutos e saímos da mata. Estávamos novamente no pomar. Chegamos a uma estrada e seguimos por ela até um roça preparada para o plantio. Passamos por ela e chegamos em uma rua asfaltada.

 

Seguimos por ela até o que podemos chamar de “Setor Histórico” do Lageado. Lá se encontram o Museu do Café com seus grandes terreiros, o paiol, um moinho de fubá, um grande armazém de estocagem de café e até uma estação de trem. Do setor histórico adentramos em uma área de mata ciliar onde há uma mina d’água, que provavelmente abastecia a sede da fazenda nos áureos tempos e daí adentramos numa área coberta de eucaliptos. É uma grande área de eucaliptos e muito antiga. Há trilhas bem definidas e alguns pontos marcados para visitação, como o “Coração da Floresta”, uma área com bancos e mesas bem no meio da mata, e o “Eucalipto Gigante”, um eucalipto de dimensões realmente grandes. Depois de algumas idas e vindas pelo meio da mata voltamos para as proximidades do setor histórico. Passamos por uma subestação da Sabesp, uma ponte sobre o rio que corta o Lageado e começamos a fazer o percurso de volta.

 

Até que fomos bem neste treinamento. Sem as marcações que são colocadas no dia da prova alguns pontos ficam dúbios. Agora é aguardar o próximo enduro e ver se o treinamento valeu para alguma coisa. Os erros cometidos neste treinamento provavelmente não ocorrerão novamente.

 

3 comentários sobre “Fazenda Lageado – Treinamento de Trekking – 24/10/2004

  1. Evandro, e amigos que eventualmente nos leem, que compartilharam essa fantástica experiência de participar de provas de trekking nos circuitos Por-Cuesta (de Botucatu), North (de Campinas) e até no Campeonato Nacional em BH entre os anos 2004 e 2007.
    Lendo esse post do nosso treinamento na Fazenda Lageado em Out/20104, me passaram duas sensações, a primeira é de agradecimento ao Daniel por ter me convidado a participar da Equipe Pé na Trilha, e à equipe por ter me recebido, em especial ao Evandro, o único que sabia alguma coisa à respeito, que foi nosso “mestre”, e navegador principal. Esse convite do Daniel depois derivou para outro convite, que foi o de passar a pedalar aos domingos com a equipe, quando não tivéssemos trekking, como forma de treinamento, o que me fez reencontrar com o ciclismo, e descobrir o mountain biking como atividade ao ar livre, em contato com a natureza, e como a melhor forma de livrar do estresse do dia-a-dia. A segunda sensação que tive foi de “nostalgia”, saudade de um tempo que não volta mais, pois o tempo não volta atrás. Mas esse é o prazer de viver: desfrutar cada momento. Mas os amigos conquistados ao longo do caminho são eternos, ficam guardados dentro do nosso coração. Abraços

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    • Amigo Ricardo, esses tempos de Botucatu foram áureos. Tenho também muita saudade das aventuras que vivemos naquela época. O clima de Botucatu, a Cuesta, os bons amigos, os Caiporas, a Staroup, provocam em mim os melhores sentimentos. Infelizmente, a cola que nos prendia àquela maravilhosa cidade acabou e todos caminhamos em direções diferentes. Evoluímos. O que ficou foram as lembranças e a saudade dos amigos. Fique com Deus.

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      • E cadastra-se no blog pois tem muita história boa destes tempos de Botucatu vindo por aí.

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