Trekking Rio Bonito – Botucatu/SP – 23/07/2005

por Evandro Torezan

Botucatu, 23 de julho de 2005

A quarta etapa do Pró-Cuesta foi realizada no Rio Bonito, condomínio de chácaras à margem do Rio Tietê. A prova foi noturna e prometia ser difícil, talvez a mais técnica do campeonato. A equipe Pé na Trilha foi com sua formação original: Daniel, Evandro, Jefferson e Ricardo.

Vista aérea do Rio Bonito. Fonte: http://www.botucatu.sp.gov.br

O check-in foi no sábado à tarde e a prova à noite. Chegamos ao Rio Bonito às 17h. Retiramos as planilhas e ficamos esperando o Ricardo chegar. Ele não demorou e, em menos de trinta minutos, fizemos nossos cálculos.

Ainda vimos um belíssimo pôr do sol refletido nas surpreendentementes limpas águas do Rio Tietê do interior de São Paulo, já que em sua passagem pela Capital do Estado é um rio sem vida, totalmente poluído.

Esperamos o início da prova, que para nós iniciaria às 19h50. Porém, a organização atrasou-se e teve que adiar o início da prova em uma hora. Ficamos no bar da sede campestre da Associação Atlética Botucatu (AAB), onde iniciaria a prova, até às 20h50. Todas as equipes ficaram por lá, numa animada confraternização. Sem termos muito o que fazer para passar o tempo, Ricardo teve uma ideia infeliz. Ele fez uma experiência com o campo magnético gerado pelas pilhas da lanterna: puxou a agulha da bússola fazendo o norte apontar para o sul. Funcionou muito bem, bem até demais, tanto que a agulha não voltou mais! A Bússola ficou invertida.

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Às 20h50 começamos a prova, passando por trilhas e caminhos dentro da associação. Logo chegamos à margem do rio, onde havia um atracadouro. Ali fizemos a primeira prova especial: teríamos que ir ao final do atracadouro e anotar uma senha que estava lá. Quando entramos nele, o Jefferson derrubou sua lanterna. Ela bateu na madeira e caiu dentro da água. Muito azar! Ele ainda nem tinha usado a lanterna. Jefferson ficou quase um ano juntando ponto do programa de fidelidade em um posto de gasolina da cidade para trocar pela lanterna. A lanterna foi para o fundo do rio levando consigo pilhas e pontos.

Dali fomos acompanhando uma cerca na beira do rio até sairmos da associação. Teríamos que entrar numa viela entre duas casas, conforme a planilha, mas os passos do Daniel terminaram em outro local, também entre duas casas, e acabamos não percebendo a viela que ficou para trás. O desespero foi aumentando. O Ricardo começou a contestar a precisão de minha bússola dizendo que ela estava invertida e não a dele. Virou uma confusão com todos palpitando sobre o que fazer. Com tamanha bagunça, perguntei a algumas pessoas que estavam nos observando em um casa em nossa frente:

– Passou alguém por aqui?
– Sim.
– Foram para onde?
– Continuaram acompanhando o rio.

E assim, fomos na direção indicada, a direção errada!

Logo percebemos o erro quando vimos uma equipe indo por outro caminho. O grande problema foi a planilha. Mais uma vez o desenho estava impreciso. Bem na frente de onde erramos havia um PC. Chegamos nele sete minutos atrasados. Eu fiquei indignado. Indignado com a planilha, com a equipe, comigo mesmo. Queria muito ganhar essa prova.

Fomos seguindo a prova ainda atordoados. Os passos do Daniel não batiam. Chegamos na segunda prova especial. Numa placa inaugural do Centro de Atendimento ao Turista do Rio Bonito teríamos que contar o número de letras e números escritos. Eram 142 caracteres.

A partir daí, estabilizamo-nos. Passamos a ser bem mais precisos. Caminhamos pela margem do rio, passando por vários trapiches e pelas trilhas e vielas do bairro.

Chegamos ao neutral ainda tristes com os erros. O neutral foi na chácara da família do Fernando Arena, organizador da prova.

Aproveitando a parada, observamos a noite. Apesar de estarmos em pleno inverno, a noite estava muito agradável. Temperatura amena. Lua cheia brilhando imponente no céu claro refletindo prateada no remanso do Rio Tietê. Em certos trechos podíamos até desligar as lanternas que a lua encarregava-se de iluminar nosso caminho.

Quando saímos do neutral, caminhamos até que a rua acabasse. Chegamos ao limite do Rio Bonito. Pulamos a porteira e passamos a caminhar por trilhas num canavial recém colhido. Foi aí que viramos o jogo para nosso lado. Além da precisão nos PCs, ao terminar o trecho do canavial chegamos a um trecho confuso onde pulamos uma cerca e pegamos estrada até entrarmos em uma pequena mata. Nesse local, assim como em outros trechos, apagamos as lanternas e a equipe que vinha logo atrás de nós não pôde nos seguir e perdeu-se. Reanimamos pois estávamos novamente no páreo.

Como já estávamos para lá da metade da prova, começamos a fazer o trajeto de volta para a associação. Entramos novamente no Rio Bonito. Há muitas vielas por lá, e a organização explorou-as. Passamos por várias delas e continuamos com a estratégia de apagar as lanternas.

Voltamos à margem do Rio Tietê. Passamos pelo terminal turístico e seguimos pela rua na direção da rodovia. Em certo ponto, tivemos que deixá-la. Chegamos numa porteira. Todos foram passando entre os arames da cerca sem verificar se a porteira estava aberta. Eu fiquei olhando e depois que os amigos passaram, abri a porteira e entrei. Ainda comentei com eles: “Vocês não acham melhor passar por aqui?”

Entramos numa pastagem salpicada de árvores. Perambulamos alguns minutos pelo pasto. Apesar de ser trecho confuso, não nos perdemos. Chegamos a uma espécie de ponte sobre duas represas. Depois de cruzar a ponte, voltamos às ruas do Rio Bonito Até entrar novamente na associação.

Quando entramos relaxamos, pensando que a prova já havia acabado. Na primeira referência dentro do clube deveríamos pegar trilha a cem graus na bússola. A noite e a falta de atenção nos fez ignorar a trilha. Pulamos um PC. Depois, deveríamos seguir a trinta graus na parte de baixo do  barranco do aterro de um campo de futebol e acabamos indo por cima. Perdemos outro PC. Em menos de cem metros a vitória escapou-nos entre os dedos.

Chegamos ao final da prova esperando resultado razoável, mas quando saiu nossa ficha de desempenho, desanimamos. Eu e o Ricardo fomos embora.

Que tristeza! Perder a prova nos cem metros finais foi horrível. Mas é nas derrotas que crescemos. Tenho certeza que nas próximas provas ficarei muito mais atento. Apesar de tudo, a experiência de participar de uma prova noturna foi fantástica.

Os campeões da prova na categoria trekkers: Quatrilha.

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