Canionismo: cachoeiras da Marta, Aracatu e Indiana – Botucatu/SP

por Evandro Torezan

Botucatu, 21 de abril de 2007

O canionismo é um esporte relativamente novo quando comparado a outros esportes de aventura como o mountain bike e o trekking, mas é uma atividade outdoor muito interessante. Ele consiste em percorrer o leito de rios vencendo os obstáculos que a natureza criou, como poços, corredeiras e cachoeiras.

No feriado de Tiradentes, fui percorrer um dos trechos mais belos da Cuesta, com muita água, florestas e cachoeiras. Além de realizar um desejo antigo de explorar a área, outro fato deixou-me muito feliz: minha esposa acompanhou-me. Pela primeira vez, Leidiane acompanhou-me em uma aventura em Botucatu.

O ponto de encontro do grupo foi a Igreja de São Benedito, centro da cidade. Por volta das 8h da manhã, seguimos até a casa de Eduardo Carrega, onde o carro ficou estacionado. O grupo tinha cinco pessoas: Eduardo, Fernando, Rodrigo, Leidiane e eu.

Da casa do Eduardo, no Bairro Comerciários, saímos a pé em direção à Estrada do Aracatu. Pegamos a estradinha e seguimos até uma ponte de madeira sobre o Rio Aracatu. Atravessamos a ponte e do outro lado descemos para o leito do rio.

Fernando, Rodrigo, Eduardo e Leidiane

Logo encontramos a primeira queda d’água. A Cachoeira Aracatu 1 tem cerca de trinta metros de altura e desce o terreno em quatro degraus meio escondidos atrás das rochas.

Descer até a parte de baixo não é tão fácil. Tivemos que escalar a rocha sem nenhum equipamento, segurando nas reentrâncias das pedras.

Na parte de baixo, continuamos seguindo o rio. Trata-se de um local pouco frequentado, assim, pelo caminho, encontramos muitas aranhas e suas teias, além de pegadas de animais nas margens. As pegadas mais claras que encontramos pareciam ser de lontra, animal arisco comum em locais preservados como esse.

Também vimos uma cena digna de Discovery Channel, um banquete medonho no meio do rio: aranha enorme apanhou uma libélula e preparava-se para enrolá-la em sua teia.

De repente, o rio sumiu em nossa frente. Era a segunda queda do Aracatu.

Nós tivemos que descer por trilhas na mata, contemplando árvores centenárias com raízes suspensas no barranco.

Esta segunda queda é um pouco menor que a primeira, porém, mais bonita. Não se esconde no meio das pedras, mas também desce o morro em três degraus, terminando num poço.

Continuando, chegamos num trecho muito liso. Tínhamos que escorregar pelas pedras e no final havia um poço fundo. Leidiane era a única que não sabia nadar e, por isso, foi tentar um caminho alternativo pelo barranco na lateral. Tentando agarrar-se num galho de árvore para pular o poço, escorregou e caiu dentro dele. Felizmente, não se machucou nem se afogou. Foi o maior susto do dia.

Cinco quilômetros depois de sair do Comerciários, chegamos na Cachoeira Indiana, uma das mais visitadas da cidade. Do alto dá pra ver bem como é a cachoeira. Ela tem, na verdade, duas quedas. Uma delas é formada pelo Rio Aracatu, pelo qual viemos, a outra é formada pelo Rio Roseira. Eles encontram-se exatamente na cachoeira, espremidas num paredão rochoso.

Cachoeira da Indiana

A descida dessa cachoeira também é por uma trilha na mata, pelo barranco.

Foi na Indiana que fizemos pausa para o almoço.

Mais quinhentos metros descendo o Rio Aracatu e encontramos o Rio Capivara, que passamos a seguir rio acima. Subir é bem mais difícil, além de o Capivara ter mais água do que o Aracatu, formando trechos mais fundos. Todos providenciaram cajados para ajudar no equilíbrio.

Andamos um longo trecho na mata antes de chegarmos numa área de pastagem. Dalí avistamos a floresta onde ficam as cascatas da Marta e Canela.

Quando chegamos nessa floresta, entramos novamente no rio. Mais algumas centenas de metros de canionismo e chegamos na quarta cachoeira do dia: Marta 2. Também é uma bela queda, com cerca de vinte metros.

Marta 2

Pela lateral dela escalamos o terreno. Apoiamo-nos nas raízes das árvores. O passeio já estava chegando ao fim. Mais um quilômetro de rio e trilhas na mata e chegamos na quinta e última cachoeira do dia: Marta 1. Com certeza a mais bela e conhecida de todas. Tem mais de sessenta metros de altura e um grande poço na base.

Cachoeira da Marta (Marta 1)

Infelizmente, não visitamos a Cachoeira da Canela pois teríamos que subir um outro riacho.

Foi um ótimo passeio. Dez quilômetros bem andados. Passamos por belíssimos lugares da APA Botucatu (Área de Proteção Ambiental). Como vimos, a Cuesta é muito mais bela do que imaginávamos.

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