Posto Campeão – Pirenópolis – 26/07/2014

Brasília, 26 de julho de 2014

http://www.gpsies.com/map.do?fileId=ghejwhqrexsuzvot&authkey=4FE9A01F7FC6C1B1EA3837E178BFF52E2E240BC0F23CE744

O renomado pseudo-cientista do tempo Carlos Duarte anunciou na quarta-feira: “Eu custei a acreditar quando, há três dias atrás, os boletins do PEDAGUASAT II começaram a alertar para a aproximação de dias chuvosos na última semana deste mês. Até este momento, está confirmada a chegada de uma grande frente fria em nossa região nesta sexta-feira; ela se encontra agora no sul do país trazendo fortes tempestades para a região. Portanto, haverá aqui um ligeiro aumento da temperatura – mínimas em torno de 15º C – e podem ocorrer precipitações desde a noite desta sexta-feira até a quinta-feira da semana seguinte, quando a frente deixará nossa região, se dispersando à noroeste. Após sua passagem, a temperatura voltará a cair, com mínimas em torno de 10º C. Caso a previsão se confirme e ocorram chuvas, será um fenômeno inédito nessa época, ao menos nos últimos quatro anos.”

E por incrível que pareça, ele estava certo. Em pleno final de julho, a chuva deu as caras no Planalto. O céu fechado fez a temperatura baixar. Quando saí de casa, às 4h50 da madrugada, o termômetro marcava 12 graus. Me encontrei com o Willian no posto policial da quadra 103. Três corajosos toparam sair pedalando rumo ao Posto Campeão, na Via Estrutural, a 20 km de Águas Claras.

Fomos em direção à Unieuro, onde encontraríamos o Adeilton, mas ele me ligou no caminho e disse que nos encontraria no Pistão Norte. Ele atrasou um pouco, e tivemos que o esperar antes de chegar na Estrutural. Quando ele chegou, pegamos a rodovia e seguimos rápido rumo ao Posto Campeão, ponto zero da nossa trilha de sábado, um pedal insano para Pirenópolis.

No caminho até o posto, nossos companheiros, que ficaram com medo do frio e da bandidagem, foram passando por nós de carro. Às 5h50 chegamos no posto. Lá, o vento levou a sensação térmica a 10 graus.

O pelotão foi formado por: Evandro Torezan, Rogério Prestes​, Willian Almeida​, Adeilton Rufino​, Dario Rugel​, Andre Areal​, Alisson Carvalho​, Alessandro Lima​, Marcelo Veiga​, Ravi Mateus​, Eliomar Alves​, Karina M. Danieli​, Amantino Soares​ e mais 2 ciclistas que não me lembro o nome.

Enquanto a turma se preparava, alguns enfeites do posto chamaram-me a atenção: formigas gigantes em correição dominavam o teto, carregando folhas e se dirigindo a um ninho.

 

Às 6h10, com o céu já se iluminando com os primeiros raios de sol, partimos. O pelotão seguiu pedalando forte pela rodovia, sentido Águas Lindas. Um pouco antes da Barragem do Descoberto, atravessamos a pista e entramos numa estrada de chão. No final da primeira descida do dia paramos para ajudar um dos ciclistas que teve problemas com sua corrente. Também percebi que a minha bike estava com um raio quebrado.

A turma sumiu na frente e só os reencontramos no entroncamento de nossa trilha com a DF-190. Seguimos então pela 190, passando pela frente da entrada do Clube Campestre Gravatá, e 4 km depois novamente entramos na trilha. Deixamos o Distrito Federal ao cruzar o Rio Descoberto. Longa subida até a Cidade Eclética. Fizemos a parada obrigatória no “Outclet”, o Outlet de Cidade Eclética, local onde se reúne o comércio da cidade. Num mesmo prédio, farmácia, mercearia, loja de armarinhos e lanchonete. Hora do café da manhã: café com leite, sucos e mistos-quentes.

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Deixamos a Cidade Eclética e seguimos por monótonos estradões. Com 65 km rodados cruzamos o Rio Areias. A partir dele, muita subida e trechos de cerradão até a pequena Aparecidinha de Loyola, onde fizemos uma parada para reagrupar.

Depois de Aparecidinha, entramos numa estrada à esquerda. Mais 16 km e chegamos na comunidade Mamoneira, mais conhecida por Morrinhos. Em volta desta pequena vila há alguns morros, por isso o apelido. A turma foi chegando aos poucos. Depois de 30 minutos esperando, dois ciclistas não chegaram. Willian voltou para procurá-los mas não encontrou. Depois ligaram avisando que tinham voltado pois estavam cansados e com dores.

Nos despedimos da pacata comunidade e pegamos a estrada que passa entre seus morros. A parte mais difícil do pedal estava chegando. Conhecida como Quatro Paredes, 4 por 4, ou Subida Branca, tem menos de 500 metros, mas é muito difícil. O solo branco, coberto de pó e com pedras soltas exige muito do ciclista. Eu nunca vi ninguém subí-la sem empurrar a bike. Subi até onde consegui e continuei empurrando até passar pelas paredes mais íngremes.

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A partir daí apareceram os bancos de areia. Pensei que estariam piores, mas a chuva da semana assentou a areia e nos deu um alívio. Passamos rápido, subimos o chapadão que nos separava de Cocalzinho de Goiás e pedalamos alguns quilômetros no seu topo plano. Lá de cima avistamos o Pico dos Pireneus ao longe. Daí foi praticamente só descida até Cocalzinho. No caminho encontrei o Marcelo com um pneu furado e sem bomba para o conserto. Emprestei a bomba, ele encheu o pneu e enquanto ele terminava o reparo eu segui.

Nos reencontramos em Cocalzinho, na Distribuidora de Bebidas Oliveira, onde se vende o famoso disco de carne, prato típico da cidade. Comemos vários discos, regados a Gatorade.

Saímos de Cocalzinho pelo meio da cidade. Por este caminho é necessário atravessar o Rio Corumbá a vau. No meio da época seca, o rio estava com suas águas límpidas e calmas. A travessia foi tranquila, pedalando.

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Entramos nos tobogãs da BR-070. Atualmente, a 070, entre Cocalzinho e a BR-153, não tem asfalto. Depois de passar nas margens do Parque Estadual dos Pireneus inicia-se uma série de tobogãs, criados pela natureza para vencer os vales dos riachos que escorrem do parque. São dois riachos cruzados a vau. Depois dos riachos surge um belo trecho de mata, com nascentes à beira do caminho. Estas nascentes são a melhor fonte de água neste trecho. Ainda com água suficiente para terminar a trilha, parei para esperar os colegas, mas ninguém parou. Só tomei um pouco d’água para garantir a hidratação. Logo depois vem a Cachoeira do Coqueiro, também à beira da estrada. No alto dela, bons lugares para banho. Descendo o barranco por uma trilha íngreme, aí sim se vê a cachoeira, e lá embaixo, onde o rio continua seu curso, um buriti fica bem no meio da paisagem e dá nome ao local: Cachoeira do Buriti ou do Coqueiro.

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Saindo da cachoeira, logo surgem, à esquerda, enormes paredões de pedra. Sinal de que estamos chegando na Fazenda Portal do Lázaro.

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A turma reagrupou-se na entrada.

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Entramos na propriedade. Cruzamos um riacho a vau dentro da fazenda. Depois passamos pela sede. O proprietário não se importa com nossa passagem, praticamente dentro da varanda de sua casa. Cruzamos o mangueirão e subimos pelo pasto rumo ao topo do morro.

Ao passar pelo pasto, uma das bikes furou o pneu. Descansamos à sombra das poucas árvores enquanto o reparo era feito.

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A trilha acompanha a cerca até entrar no cerrado, seguindo então pela trilha na mata num terreno cheio de cascalho grosso. No alto, passei por uma cerca e fiquei esperando o resto da turma chegar. Fiquei cerca de dez minutos esperando, até que resolvi voltar pra ver o que havia acontecido. Não vi ninguém. Pensei que eles haviam se perdido. Subi novamente o morro e fui em busca da turma que estava na frente.

Passei novamente pela cerca. O single continuou por uma antiga estrada da fazenda, aparentemente só usada pelo gado e pelos peões. Muita pedra solta, buracos e valas. Reencontrei a turma esperando num colchete e os retardatários estavam lá. Não tenho ideia do caminho que fizeram, mas chegaram antes de mim e não passaram pela cerca.

Passamos pelo colchete e seguimos por estrada arenosa no alto do morro, igualmente abandonada, que terminou na entrada de um single que entrava na mata. Aí começou a melhor parte da viagem. Primeiro, descemos o single, bem técnico. Ele passa à beira de um abismo. É um trecho tenso. Qualquer descuido pode ser fatal. No final, uma aviso para aqueles que sobem: “SÓ TRAÇÃO ANIMAL”. Era para nós!

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No final, entramos numa estrada que vai ziguezagueando em meio à mata. A descida é muito rápida. Quando me dei conta, já estava descendo as ladeiras traiçoeiras do Morro do Frota.

Chegamos! Entramos feito loucos nas ruas apertadas de Pirenópolis. Encontramos o Ernesto, nosso motorista, na ponte sobre o Rio da Almas. Ele havia acabado de chegar com a sua van. Eu me despedi da turma ali e saí em busca da minha família, que veio me resgatar.

Foi um pedal puxado de 150 km, mas foi uma trilha sensacional. Quero repeti-la em breve.

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