Trilha Gravatá – 11/10/2014

Brasília, 11 de outubro de 2014

por Evandro Torezan

https://www.strava.com/activities/206070846

Nunca havia animado-me a ir fazer a Trilha Gravatá, que fica nos fundões de Samambaia e Ceilândia. Rogério Prestes sempre fazia essa trilha, mas a descrição do percurso não despertava minha curiosidade. Eu imaginava que a trilha passaria por muitas áreas urbanas, o que me deixava desanimado. Mas dessa vez, como a trilha entrou no calendário oficial do Pedáguas, resolvi conhecê-la.

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Fui pedalando até a Estação Arniqueiras do Metrô/DF onde encontrei Dario vindo do Guará. Seguimos de metrô até a estação Taguatinga Sul, onde esperamos Rogério, que vinha de Ceilândia. Dali seguimos pedalando até o Posto Chaves, na BR-060.

Quinze ciclistas estavam no posto: Dauro, Hélio, Ricardo Pessoa, Dario, Sérgio Madureira, Marcos, Helvécio, Nakao, Rogério, Bruno, etc. Desta vez,

Rogério mapeou caminho um pouco diferente. Teríamos um pedal exploratório antes de seguir para a trilha original.

O pedal começou pela BR-060, seguimos no sentido de Goiânia por dois quilômetros e entramos à direita, passando por alguns sítios. Foi um trecho complicado, com muitas cercas para pular, singles e estradas abandonadas. O começo foi enrolado, mas depois de passar por uma porteira, o trajeto desenrolou. Dario teve até tempo para descansar numa cadeira que encontrou na trilha, esperando a turma chegar.

Depois da porteira começou descida forte pela estrada cascalhada. Cheia de curvas-de-nível, a descida foi alucinante e perigosa. Frear no final foi difícil. Foi assim que chegamos na DF-280, no Setor Água Quente.

Andamos um pouco pela rodovia, sentido sudoeste, até entrar à direita. Cruzamos o Ribeirão Samambaia e subimos seu vale.

Meu pneu murchou quando chegamos ao alto. Tive que trocar a câmara de ar.

Descemos o vale do Córrego Melchior. A situação do Melchior é triste. É uma vergonha para o Distrito Federal. Ele nasce entre Taguatinga, Samambaia e Ceilândia e carreia muito lixo sólido dessas áreas. Garrafas PET, sacos e sacolas plásticas, etc. Mas o que mata o rio é a Estação de Tratamento de Esgoto do Melchior, cujo funcionamento é precário e despeja esgoto sem tratamento adequado, às vezes in natura, nas águas do córrego.

Atravessamos a precária ponte de madeira e entramos na melhor parte da trilha. O triângulo formado pelo Melchior, pela DF-180 e pelo Rio Salta Fogo delimita área de morros e chapadas muito interessante para a prática de mountain bike.

Seguimos pelo leste dessa área cruzando alguns pequenos riachos afluentes do Córrego Melchior, passagens em meio à mata ciliar.

O período de seca no DF vai de maio a setembro. Nessa época, muitas áreas incendeiam. Essa região estava toda queimada. É triste ver os morros e chapadas calcinados.

Subimos pelas trilhas queimadas até o alto da chapada, de onde se avista uma grande represa.

Apesar de ser o final da área seca, ainda tinha bastante água, água verde que contrastava com a terra branca das margens expostas.

Contornamos o vale da represa e seguimos mais alguns quilômetros de singletracks. Quando nos aproximávamos de uma área de chácaras, possivelmente invasões de terra, às margens da DF-180, numa subida técnica, a corrente de uma bicicleta quebrou. Fiquei quase uma hora sentado embaixo de um pé de jaca esperando os amigos consertarem a bike.

Seguimos por várias estradas de terra até chegar em outra área de cerrado às margens do Rio Salta Fogo. Levei um tombo aí. O pneu dianteiro resvalou no cascalho e foi pra dentro da vala. Eu caí rolando no mato.

Depois do tombo, entramos no Clube Campestre Gravatá. O Rio Salta Fogo cruza a área do clube. Nós atravessamos o rio pela ponte e fomos à lanchonete. Foi nossa pausa para o lanche. Descansei, tomei uma ducha, lanchei e bebi refrigerante.

O maior desafio da trilha foi sair do clube. São apenas 2,5 km até chegar à DF-190, mas é subida pesada, com inclinação máxima de 12%. Depois, seguimos pela rodovia por dois quilômetros e voltamos pra terra. Tudo que subimos para sair do clube, descemos para voltar ao Salta Fogo. Mas a intenção era boa: paramos no rio e entramos na água.

No local há algumas pequenas quedas d’água, alguns poços e uma interessante vala de dois metros de largura escavada na rocha, por onde passa o rio.

Banho tomado, voltamos ao pedal. Entramos novamente no “triângulo”. Sair do rio não foi fácil. Foram dois quilômetros de singletracks até o alto do chapadão. Seguimos por cima, descendo por alucinante single, até voltar ao Rio Melchior na mesma ponte que atravessamos na ida.

Do Melchior até o Posto Chaves enfrentamos seis quilômetros de subida, com um pequeno alívio na passagem pelo Córrego Samambaia. Subimos por terra, cruzando área que tem dois grandes acampamentos de sem-terra, até chegar à BR-060.

A trilha terminou no Posto Chaves. Foram 43 km de trilha com 872 m de subida. Eu, Rogério e Dario já estávamos com 65 km de pedal pois viemos pedalando até o posto. Cansados, conseguimos caronas para voltar para casa.

Minha impressão sobre a trilha mudou radicalmente. Valeu a pena. A área do “triângulo” é muito boa para a prática de MTB.

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