Trilha do Bife – 18/05/2019

por Evandro Torezan

Brasília, 18 de maio de 2019

https://www.strava.com/activities/2377793409

Quando acordei de manhã e olhei pela janela do quarto, a neblina cobria o topo dos prédios da vizinhança. Ainda estava escuro. A cama puxou-me de volta como ímã, mas como a missão estava dada, eu haveria de cumprí-la. Arrastei-me até a cozinha, tomei café e parti.

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Às 6h30 já estava no balão da Unieuro, em Águas Claras, esperando os amigos que toparam a empreitada, mas eles não apareceram. Será que perderam a batalha contra a preguiça?

Segui até a Floresta Nacional de Brasília (Flona), a dez quilômetros de Águas Claras. Cheguei em meio à neblina.

Já haviam vários ciclistas por lá e aos poucos chegou o resto da turma:  Carlinhos, Marcão, Gessé, Edson Ceará, Luciano, Chimbinha, Jocieudes, Nakao, Elton Santana, Reginaldo, Lcaso TVN Brasil, João Campos, Salem, Alexandre Sena, Divino (Genérico), Dario, eu e vários outros ciclistas.

Uma característica importante do grupo que organizou essa trilha é a pontualidade. Com os Apavorantes, a partida é no horário combinado. Não adianta ligar e pedir pra esperar: atrasou, ficou, corra pra alcançar o pelotão. Concordo totalmente com eles. Não é chatice, como alguns podem pensar. É apenas respeito a quem se planejou, acordou cedo e chegou no horário.

Os colegas que eu havia convidado chegaram em cima da hora: Rogério, Daniel, Neilson, Edgar e Gerlan. Um dos ciclistas cancelou de última hora sua participação no pedal, o que comprometeu a logística de todos.

Às 7h em ponto, parti com o pelotão pontual e deixei os atrasados para trás, comprometendo-me a não acelerar.

O pelotão de elite sumiu na frente. Eu segui devagar, esperando que os amigos alcançassem-me. Demos a volta na Flona em meio à neblina.

Saímos da Flona e entramos no asfalto perto do entroncamento da DF-001 com a DF-240. A partir dali, o pedal vira correria. Se perder o pelotão, já era, fica pra trás. Pegamos a DF-001 margeando o Parque Nacional de Brasília (PNB) sentido norte. São 7,5 km de asfalto, depois acaba o asfalto e a DF-001 segue de terra, dando a volta no PNB. A neblina estava tão densa que se condensava no capacete e pingava. Os óculos embaçavam.

Aos trinta quilômetros, entramos à esquerda na DF-220. Foi aí que passamos no ponto mais alto da trilha, 1338 m, próximo ao Pico do Roncador, o ponto mais alto do Distrito Federal, com 1341 m de altitude. Mais alguns quilômetros e chegamos à BR-080, em frente à comunidade Vendinha. O sol finalmente dissipou a neblina e deu as caras. Dali, foi praticamente só descida até a Vila Curralinho, onde fica o Restaurante Lima, que serve o famoso bife que dá nome à trilha, quase do tamanho do prato.

A primeira parte da trilha é esse longo deslocamento até chegar ao restaurante. A melhor parte é a descida da BR-080.

A passagem pelo restaurante foi rápida. Não fiquei lá nem vinte minutos e não comi o bife, mas pedi um sanduíche de pão com carne e salada e tomei uma Coca-Cola. Quando fui pagar a conta, o dono do restaurante deu-me troco a mais. Avisei-o e devolvi-lhe o dinheiro. Quando virei-me e fui saindo, ouvi ele comentar com um outro cliente que estava próximo ao caixa: “Esses ciclistas são todos certinhos.” Parabéns, turma. Gostei de ver que nossa fama é boa. É assim que conquistamos respeito no trânsito.

Quando voltei do caixa, a maioria dos ciclistas havia partido. Pensei em ficar esperando meus amigos. Fui até o asfalto e não enxerguei ninguém chegando. Decidi seguir. Eles deviam estar muito longe. Saí correndo pra não perder o bonde. Bem em frente ao restaurante começa a DF-205, rodovia sem asfalto. Por ela seguiríamos até voltar à DF-001.

Na primeira baixada, surpresa, lá estavam meus amigos atrasados lanchando na beira da estrada. Eles não pararam no restaurante e passaram quando eu estava pagando a conta, por isso não os vi. A partir daí, seguimos juntos.

Há grande movimento de caminhões basculantes nessa estrada, carregando brita e calcário da Mineradora Rio do Sal.

A poeira que eles levantam vai grudando em tudo. A cara fica suja, até parece maquiagem.

O local mais baixo da trilha é na passagem de um riacho, 782 m, mas o caldo entorna mesmo alguns quilômetros depois, no Rio da Palma, local conhecido por Buracão. O apelido não é à toa. O vale é profundo.

Dali pra frente, a roda dianteira fica apontada pra cima por dez quilômetros. É uma judiação.

Quase no final da subida, há uma bica d’água. É como um oásis no deserto. Os ciclistas fizeram fila para refrescar o corpo e tomar a água fresca que brotava do barranco. Ao chegar à bica, o pior já passou.

Com alguns minutos de descanso, água fresca tomada e corpo molhado foi mais fácil terminar a subida e voltar à DF-001. Cheguei lá com 91 km de trilha. Fiquei esperando a turma num ponto de ônibus.

Partimos pouco antes do meio-dia. Corremos pela DF-001 feito loucos, enfrentando muita poeira e costelas-de-vaca pela estrada de chão. No início do asfalto, aos 105 km de pedal, descolei dos amigos. Eles pararam para reagrupar, mas eu continuei pedalando sem parar, cruzei a Flona, peguei o Pistão Norte e por volta das 13h estava de volta a minha casa em Águas Claras. Ufa!

Foi a primeira vez que fiz essa trilha nesse sentido, descendo pela BR-080 e subindo pela DF-205. Achei muito melhor. No outro sentido, pegamos doze quilômetros de subida pela BR-080 tomando fina dos carros e caminhões usuários da rodovia. Além de ser mais seguro, pela terra a temperatura é mais baixa. Valeu a pena. Trilha relativamente rápida para um pedal longo: 135 km de trilha com 1390 m de subida.

8 comentários sobre “Trilha do Bife – 18/05/2019

  1. Parabéns relato correto de tudo que acontece nesta trilha, super gratificante saber que a galera e pontual e unida, até a próxima! ! Quase morri mais passo bem..kkkk

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  2. Muito boa a descrição da nossa aventura, parabéns a todos que encaram o desafio, que venham outros!
    No meu caso que tinha chegado em casa 2:30h da manhã cheio de cerveja no sangue foi muito bom o álcool saiu ligeiro!
    Grande abraço a todos irmãos do pedal.
    Deus no comando sempre.

    Curtido por 1 pessoa

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