As Três Pedras – 22-07-2007

Botucatu, 22 de julho de 2007

Maravilhoso! Qualquer outro adjetivo para o passeio de hoje não seria mais adequado. Poderia chamá-lo de sofrido ou místico, mas não expressaria totalmente o que senti ao chegar ao nosso objetivo: as Três Pedras. Foi o melhor passeio destes meus três anos de Botucatu e olha que desde que cheguei aqui sempre quis ir até lá.

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Alguns dos nossos amigos Caiporas tiveram outros compromissos nesta ensolarada manhã de domingo. O Fernando foi a uma procissão e o Eduardo foi a um batizado. Tenori, Eduardo Borná, Baiano, Marcão, Zé de Almeida e eu, sem compromissos religiosos, juntamos-nos na Vila dos Médicos para um passeio pela Cuesta. Quando cheguei, às 8h30, o pessoal já estava saindo, mas ao chegar avisei que o Tenori também ía, e o esperamos mais um pouco. Enquanto o esperávamos convenci a turma a ir para as Três Pedras. Ufa! Finalmente iria conhecer esse fantástico cenário da Cuesta. Lugar único, místico, ufológico, cercado de lendas e até cenário de filmes.

Saímos da cidade por caminhos alternativos. Chegamos à Castelinho passando pela Cecap, depois pegamos algumas trilhas técnicas passando pelo Cemitério Jardim. Dalí chegamos na Rodovia Gastão Dal Farra, por onde seguimos até a Cesp, onde pegamos outra estrada alternativa que nos levou ao Museu Tropeiro. Alí entramos nas terras da Demétria. Passamos pela Escola Aitiara e cruzamos alguns condomínios do local, aliás, nem dá vontade de ir embora, um local muito bonito, cheio de verde, com casas e caminhos bem cuidados. Um sossego.DSC00353.JPG

Quem nos guiou pelo meio dos condomínios foi o Zé de Almeida, que apesar do nome pomposo é um menino de quinze anos de idade. Ele conhece bem o local pois estuda desde o maternal na Aitiara, escola que utiliza o método Woldorf na educação de seus alunos.

Saímos do condomínio bem na frente do Sítio Bahia, local que comercializa e produz alimentos orgânicos, e por esta estrada de terra seguimos até sair na rodovia que liga a Marechal Rondon à cidade de Pardinho. Alí meu velocímetro já marcava trinta quilômetros rodados. Pela rodovia, percorremos cerca de 500 metros, sentido Pardinho, e pegamos uma estrada de terra. Esta estrada passa por duas grandes represas que embelezam o cenário triste do mar de cana-de-açúcar que o interior de São Paulo está se transformando. Locais onde antes havia eucalipto e pasto, agora só tem cana. É incrível! Pelo jeito teremos que conviver cada vez mais com céus cinzentos, cheios de fumaça das queimadas nos canaviais. Bom, pelo menos os lagos são bonitos e grandes!

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Seguindo pela estrada, a cana ficou para trás e pastos surgiram. Estávamos nos dirigindo para o leste da Cuesta e para os dois lados que olhávamos víamos vales lindíssimos, paredões de rocha nua, as escarpas da Cuesta cobertas por grandes trechos de mata, um espetáculo! Enquanto avançávamos o Baiano aproveitava para fazer a feira. Não podia ver uma árvore frutífera que já descia da bike e colhia algumas frutas. Abacates, limões …

Já estávamos bem próximos da área onde ocorreu o trekking na semana passada e aos poucos as Três Pedras iam aparecendo.

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Tínhamos uma visão lateral delas. Logo adiante, chegamos no local de maior altitude do dia e à nossa frente, nosso destino se mostrava cada vez mais próximo e mais belo.

Chegamos à Fazenda Três Pedras. Sentia que faltava pouco. Começamos a descer por um capricho de estrada. Parabéns ao dono da fazenda. Um estrada calçada com blocos de concreto, descendo a Cuesta serpenteando pelo meio da mata. Lindo lugar. Gostoso de passar.

E no final desta estradinha a mais bela visão da Cuesta descortinou-se frente aos nossos olhos: as Três Pedras com todo seu esplendor! Não há como explicar. É muito bonito o local. Não é à toa que tantas lendas cercam as Três Pedras. Estávamos aos pés do gigante (as Três Pedras são os pés do Gigante Deitado/Adormecido, outra atração da Cuesta). Por vinte minutos ficamos ali, contemplando esta obra natural, esculpida pelo vento e pela chuva.

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As Três Pedras é um conjunto de morros, situado na divisa entre os municípios de Bofete, Pardinho e Botucatu. A região rústica retrata com fidelidade a paisagem da Cuesta botucatuense, com vales, montanhas e vegetação típica. Além da beleza, o lado místico das Três Pedras é outra grande atração. Esotéricos garantem que fenômenos inexplicáveis ocorrem alí e que no local pousam discos voadores. Outras lendas também se popularizaram depois dos estudos de Frei Fidélis Maria de Primiero, um frade Capuchinho que morou em Botucatu por volta de 1950. Estudioso de história antiga, o frei interpretou as Três Pedras como um antigo templo de adoração a Satã, afirmando ainda que, em sumério, Botucatu significa “Templo da Serpente entre as Pedras”. Ainda dizia que as cidades que cercam as Três Pedras pertenciam a uma região em que, há milênios, realizavam-se sacrifícios em louvor ao demônio. Outra lenda famosa é a que diz que os jesuítas que catequizavam os nativos pelo interior do país, ao passarem pelas Três Pedras, foram atacados por índios selvagens, e esconderam na pedra do meio um enorme carregamento de ouro, mas, com o massacre, perdeu-se o local onde até hoje encontra-se o tesouro.

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Bom, chega de história que o caminho para voltar é longo. Estávamos na metade do caminho, com 40 kms rodados, e já era meio-dia. Os amigos já comunicavam as esposas que faltariam ao almoço de domingo. Alguns até já reclamavam que iriam ter que comer macarronada esquentada no micro-ondas. Então, seguimos. Descemos um trecho íngreme e cheio de pedras soltas, caminho de motoqueiros, com sulcos profundos no solo. No final desta ladeira encontramos alguns motoqueiros preparando-se para subir. O Tenori conhecia-os e tivemos um rápido bate-papo enquanto alguns já iam subindo.

Faltava terminar de descer a Cuesta, e foi o que fizemos. Trecho técnico, com pedras soltas, à beira de penhascos. Chegamos numa estradinha de chão, muito bonita, passando por matas e pastagens, local por onde passamos no último trekking, e seguimos por ela até César Neto, bairro rural da cidade, onde fica a antiga Estação Ferroviária de Anhumas.

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Alí fizemos parada para o lanche. O Tenori, pra variar, tomou uma cerveja. O resto da turma tomou guaraná e comeu Dadinho.

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Dalí pra frente, o trecho mais difícil do dia: subir a Cuesta pela rodovia Marechal Rondon. Comecei forte e deixei a turma pra trás. Fiquei esperando-os num ponto de ônibus antes da última e pior subida, a serra em si. Todos chegaram sem demorar muito, menos o Tenori. Voltei e encontrei-o já bem próximo, mas estava muito cansado e já reclamava que suas pernas iriam “travar”, situação que sempre ocorre com ele.

Quando a serra começou de verdade a turma sumiu. Fiquei com o Tenori, subindo na boa. Ele estava indo bem, mas queria parar a todo momento. Ofereci-me para uma ajuda e assim, empurrando o Tenori serra acima, chegamos na Capela de São Cristóvão.

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Ufa! O pior já tinha passado. Mais um pouco empurrando o Tenori e encontramos mais três da turma. O Baiano teve uma crise de hipoglicemia e precisava de alimento, que estava com o Tenori (Por quê não comeu um abacate?). Já eram quase 15h. O Tenori foi subindo e parou a cem metros da simpática placa de “Fim da Serra”. Desta vez ele travou feio. Nem conseguia descer da bike. Tiramos ele de cima e ele sentou um pouco no asfalto. Recuperou-se rápido e conseguiu chegar ao posto Mirante da Serra. Para ele, o passeio terminou por alí. Pediu resgate à namorada e nós seguimos nosso caminho.

A turma seguiu junta o resto da Marechal Rondon até Botucatu. Cortamos pela Cohab e pegamos a rua Amando de Barros. Os dois últimos que estavam comigo, o Borná e o Zé, logo no início pegaram outro caminho e eu, sozinho, pude acelerar um pouco. Já eram 16h quando cheguei em casa, com 75 kms rodados.

Cheguei bem cansado. Sem almoço, com dor no tendão e, pasmem, com cãimbra no abdômen. Putz! Que coisa estranha! Nunca tive isso.

Final da história, o Tenori com as pernas travadas, eu com cãimbra no abdômen e o Baiano com dois abacates e meia dúzia de limões.

Como diria o Tenori: “Que passeio gostoso! Puta que o pariu!”

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