De Brasília ao povoado São Bartolomeu: pedalar com Cristóvão nunca é simples!

por Evandro Torezan

Brasília, 7 de dezembro de 2019

https://www.strava.com/activities/2918057321

Final de ano chegando, chuvas generalizadas sobre o Planalto Central, confraternizações preenchendo todos os finais de semana até o Natal. O clima de “2019 já acabou” espalha-se entre os ciclistas que, com medo de sujar a bike de lama, vão encostando as magrelas no fundo da garagem para voltar a pensar em pedal só em 2020. A minha bicicleta de trilha também está lá no fundo da garagem, limpinha, revisada, brilhando, mas … ninguém mandou ter duas mountain bikes.

Dalton Schneider inventou boa trilha para o final de semana: percurso Brasília – São Bartolomeu, 135 km dos quais cem quilômetros por trilhas e estradas de terra. 

Decidi entrar na aventura com minha bike número 2, que uso para ir ao trabalho e nas cicloviagens, bicicleta barata e guerreira que encara qualquer desafio. Também decidi adicionar um elemento surpresa ao evento. O caminho escolhido pelo Dalton é um antigo percurso que o meu saudoso Pedáguas usava para ir ao Rancho Cristaluna, propriedade de meu amigo Cristóvão Naud, o Cristóvão-Sempre-Ele, personagem quase folclórico de meu livro De catedral a catedral e do futuro Livro Quinto, que será lançado em 2020. Enfim, como Cristóvão tem que ir frequentemente ao Rancho para administrá-lo, convidei-o a ir pedalando comigo.

O ponto de partida oficial do pedal foi o Posto da Polícia Rodoviária da BR-060, entre Taguatinga e Samambaia, às 6h da manhã, mas eu não passei por lá. Combinei de encontrar-me com Cristóvão na EPIA*, às 5h30 e dali seguiríamos. Saí de Águas Claras às 4h50. Felizmente, não chovia. Segui pela ciclovia da EPVP*, atravessei a EPNB* e entrei na Área de Relevante Interesse Ecológico do Ipê, conhecida por nós, ciclistas, como Tonéis.

* Pra quem não mora em Brasília: EPIA: Estrada Parque Indústria e Abastecimento, EPVP: Estrada Parque Vicente Pires, EPNB: Estrada Parque Núcleo Bandeirante.

Cruzei os Tonéis na ponta dos dedos, tentando não escorregar em suas trilhas de barro. Nessa época do ano, brota água para todo lado que se olha e além de as trilhas acumularem água em suas poças, ficam bem lisas. Atravessei dois riachos a vau antes de alcançar o asfalto que me levou à EPIA, onde cheguei às 5h40. Cristóvão já estava lá, parado sob um pequizeiro, ao lado de uma barraca que vende cocos. Veio pedalando desde a Asa Sul. Em sua bike havia lancheira infantil amarrada no bagageiro de canote e bolsa de guidão.

Quando avistei-o, chamei-o para continuarmos imediatamente, mas ele pediu-me para ir ao seu encontro 😞. Num mini-flashback vieram à tona aterrorizantes lembranças de minhas viagens com Cristóvão. Era como se ouvisse os sons dos elásticos extensores batendo nas sacolas plásticas quando ele ajustava seus penduricalhos no bagageiro. Ele costuma levar a pequena mochila térmica com garrafas de água congelada e também prende tudo que não está usando no momento: câmara de ar, capa de chuva, etc. Durante o percurso, invariavelmente, vai perdendo itens que se soltam com a trepidação.

Nosso último pedal foi em julho, para comemorar seu aniversário. Já havia me esquecido do quanto Cristóvão pode atrasar um pedal, e não é pelo ritmo que ele gira, que é bom, mas pelas paradas constantes e nem sempre voluntárias.

Cumprimentos feitos, ele disse: “Eu queria tomar uma água de coco.” 😞 Outro mini-flashback: o tempo passa mais devagar para Cristóvão. Não eram nem 6h da matina. A barraca, cujo dono, naquele instante, deveria estar dormindo em sua casa, abriria dali duas horas! Pode isso? Cristóvão, sempre ele! Retornando do mini-flashback, olhei sério para Cristóvão e disse: “Tá doido? Essa barraca demora a abrir.” Ele contentou-se, então, em comer sanduíche que tinha trazido de casa.

Partimos às 6h. Nesse mesmo horário, o restante do grupo iniciava o pedal no Posto da Polícia Rodoviária. Lá estavam: Dalton Schneider, Reginaldo, Carlinhos Vidonésio, Timão, Dira, Chicão, Luciana, Marcão, Edmar, Salém, Rafa Kobe, Emídio Irineu, Gessé, Samuel, e outros.

Cristóvão e eu atravessamos a EPIA por uma passarela de pedestres e entramos no bairro Park Way entre as quadras 27, 28 e 29. Seguimos até os fundos do Brasília Country Club, onde entramos na linha férrea que vem de Luziânia.

Vencida a pequena ladeira pedregosa para acessar os trilhos, seguimos pelas margens da estrada de ferro por dois quilômetros até sair à direita, entrando no Parque Ecológico Córrego da Onça.

As estradas do parque levaram-nos a uma área de mata fechada onde nasce o Córrego da Onça. Cruzamos a mata e subimos por área de cerrado até alcançar a DF-001 em frente a Área Alfa da Marinha do Brasil. Até aí, 25 km rodados.

Continuamos pelo asfalto rumo ao leste por nove quilômetros, até entrar à direita em uma estrada de terra que contorna a área da Marinha. Essa estrada desce acompanhando o vale do Ribeirão Santana até chegar a um areal, onde faz curva à direita e continua pelo meio do cerrado, margeando a área da Marinha. Aos 44 km saímos do cerrado, passamos por setor de chácaras e chegamos ao asfalto da DF-495 num local que há portal construído com tijolos, ao lado de um pinheiral. Enquanto Cristóvão fazia um lanchinho, o pelotão dianteiro do grupo, que saiu do Posto da Polícia Rodoviária, alcançou-nos. Disseram “oi” e seguiram, alguns, nem isso.

Seguimos pelo asfalto por mais dois quilômetros e Cristóvão quis fazer outra parada 😞. Numa rotatória da rodovia há um monumento com três árvores de ferro vermelhas e havia uma kombi vendendo pastel e caldo de cana. Paramos.

Enquanto aguardávamos o caldo ficar pronto, os ciclistas foram passando. Alguns seguiam pelo caminho correto, por estrada de chão que leva direto ao Jardim Dom Bosco, loteamento no município de Cidade Ocidental. Os mais perdidos seguiram pelo asfalto recentemente construído, que também leva ao Dom Bosco, mas dá uma volta um pouco maior.

Caldo tomado e conta paga, a pedido de Cristóvão, seguimos pelo asfalto. No meio da estrada até o Dom Bosco encontrei alguns ciclistas perdidos, querendo cortar caminho pelo meio de uma lavoura de soja para voltar ao tracklog original. Informei-os que poderiam seguir pelo asfalto que chegariam ao lugar certo.

Passamos pelo Dom Bosco seguindo pela rodovia GO-521. Antes de sair dos limites do bairro, pegamos estrada de terra à direita, que liga a rodovia GO-521 à GO-540. Alcançamos a GO-540 no local onde fica o aterro sanitário de Cidade Ocidental. Centenas de urubus descansavam em cercas da redondeza.

Seguimos pela GO-540 sentido nordeste, até seu entroncamento com a GO-521, numa rotatória, onde saímos do asfalto por estrada à direita. Combinei com Cristóvão de pararmos no Pesque-Pague Cia do Peixe, a oito quilômetros da rotatória. Tudo seguia bem. Parecia que chegaríamos rapidamente ao pesque-pague, mas depois de passar pelo Córrego do Galinheiro, os penduricalhos de Cristóvão soltaram-se do bagageiro 😞. Paramos e, enquanto ele estalava seus elásticos nos sacos plásticos 😖, ouvi barulho de ar vazando: seu pneu estava furado 😞. Ele terminou de pendurar suas coisas e tentou seguir, mas não teve jeito, o pneu já estava bem murcho. Furou! Cristóvão, sempre ele! 😞

Vendo-o demoradamente tentando remover o pneu, não tive opção a não ser ajudá-lo no reparo. Tirei o pneu para ele, verifiquei se não havia espinhos e coloquei a câmara reserva. A câmara já tinha uns dez remendos, quatro deles muito próximos, sobrepostos 😞. Ele pegou sua bomba de ar e tentou encher o pneu. Pense numa bomba ruim! Curso de alavanca curto que não colocava quase nada de ar na câmara a cada bombada 😞. Ele disse que a encontrou pedalando em Unaí. Pelo jeito, o antigo proprietário jogou ela fora! 

Tirei minha mochila, saquei minha bomba e comecei a encher o pneu de Cristóvão. Enchi boa parte e, com os braços cansados, passei a vez para Cristóvão terminar o serviço. Poucas bombadas depois, ouvi o som do ar vazando de uma só vez: um remendo velho soltou-se. Ah não! 😞

Enquanto Cristóvão tirava o pneu do aro, eu remendei a câmara antiga. Com a pressa,  esqueci de lixar o entorno do furo e fui logo passando cola. Putz! Vai soltar, pensei. Mas já não havia o que fazer. Colei o remendo, recolocamos a câmara, enchemos e seguimos. O remendo aguentou.

Finalmente chegamos ao pesque-pague. Lanchamos. Cristóvão pediu um suco de abacaxi que demorou a ser servido 😞. Enquanto ele tomava o suco calmamente, chegou a “cozinha” do nosso pedal: Dalton, Salém, Emídio e Marcão.

Emídio, Marcão e Salém

Eles também pararam por alguns minutos. Avisei Dalton que se eu não chegasse ao São Bartolomeu até as 17h que ele poderia partir sem mim. Dormiria no Rancho Cristaluna e daria um jeito de voltar para Brasília no dia seguinte.

Eles partiram e nós ficamos. Foi aí que Cristóvão percebeu que seu pneu dianteiro também estava furado 😞. Lá foi ele reparar o pneu com a mesma eficiência de antes e lá fui eu ajudá-lo novamente para agilizar o processo. Um funcionário do pesque-pague, que conversava conosco e observava o trabalho, sugeriu que usássemos o compressor de sua oficina para encher o pneu. Quando terminamos a troca, fui com ele encher o pneu e disse para Cristóvão: “Vai arrumando suas bagunças. Quando eu voltar só colocamos o pneu e partimos.” Saí caminhando com o funcionário até chegar à oficina. Era longe, talvez fosse menos cansativo usar a bomba manual. Passamos por gramados encharcados e estradas lamacentas, enfrentamos cães bravios. Pois quando voltamos da longa caminhada, fiquei impressionado: Cristóvão não tinha terminado de pendurar seus objetos na bicicleta. 😞 Cristóvão, sempre ele! O amigo justificou-se dizendo que estava escovando os dentes. Higiene em primeiro lugar! 😀

Quando finalmente partimos, não queria acreditar no que constatei. Ficamos uma hora “de relógio” no pesque-pague, sessenta minutos. 😞

Saindo do pesque-pague, a trilha ficou mais difícil. Estávamos bem próximos do Ribeirão Mesquita, mas precisávamos subir a chapada que separa seu vale do Ribeirão Saia Velha. São três quilômetros de subida, sendo o trecho final bem inclinado. Cristóvão seguiu na frente. Reencontrei-o no alto da chapada. Lá de cima, bela vista do vale do Ribeirão Mesquita.

Vale do Ribeirão Mesquita

Seguimos pelo chapadão por cinco quilômetros e pegamos estrada à esquerda. Tudo que subimos, iríamos descer para atravessar o Mesquita e subir do outro lado. Há belos trechos de mata nas partes mais íngremes dos dois lados do vale. No meio da descida, uma abelha ferroou minha barriga. A gente só pensa nos perigos quando os acidentes acontecem. Se eu fosse alérgico, já era, não levava nenhum remédio. Felizmente, não sou alérgico e segui apenas com a barriga dolorida.

Cruzamos o Mesquita sobre ponte e começamos a subir. É a pior subida desse percurso, 2,5 km com 6% de inclinação média. Subi sem parar e esperei Cristóvão no alto.

Dali pra frente, Cristóvão conhece cada palmo de estrada. Atingimos a rota que ele normalmente faz para ir ao Rancho Cristaluna, estrada que vem do Jardim ABC. Avisei-o: “Próxima parada: Boteco do Zangado.”

Descemos, novamente, o vale do Mesquita. Cruzamos belos e longos trechos de mata até cruzá-lo bem próximo ao seu final, quando deságua no Rio São Bartolomeu.

Depois, entre lavouras e chácaras, alcançamos a GO-010, onde fica o Boteco do Zangado. Cheguei ali com 89 km de pedal. Para minha surpresa, a turma do Dalton ainda estava lá. Marcão estava com problemas no freio traseiro e Dalton tentava consertar.

Essa turma já havia consumido tudo que havia no bar. Ouvi relatos de haver uma bacia de pães de queijo, só ouvi, nem o cheiro senti. Comecei logo a comer meu atum com pão. Antes que eu terminasse, Cristóvão chegou empurrando a bike: pneu traseiro murcho. 😞 Ele encostou a bike do lado de fora do bar, sentou-se à mesa e tomou um copo de guaraná que lhe servi. Depois, levantou-se e foi ver o que tinha para comer. Não acompanhei a conversa, mas no final, Cristóvão pediu para prepararem-lhe um prato de comida. 😞 Meu embarque na van estava seriamente ameaçado.

Enquanto isso, Dalton mexia no freio da bike do Marcão. Ele não conseguiu consertar. Quando viu que não teria jeito, começou a remontar a bike e disse para o resto do grupo seguir na frente. Salém partiu imediatamente. Emídio não. Disse que esperaria o amigo Marcão. Emídio e Marcão são bons companheiros, parceria fraternal. Terminada a montagem da bicicleta, os três partiram.

Em vez de ir consertar o pneu, o Sempre-Ele ficou ali na mesa conversando. Eu terminei de comer e fui trabalhar para ele, para tentar agilizar nossa saída. Tirei o pneu e saquei a câmara. Não achei o furo e tive que procurar uma vasilha d’água para mergulhar a câmara e descobrir por onde fugia o ar. Peguei a vasilha-comedouro do cachorro do bar, joguei os restos de comida fora, enchi de água e achei o problema: era o meu remendo que descolou. Com calma, retirei o defeituoso, lixei cuidadosamente e fiz um remendo caprichado dessa vez. Enquanto isso, Cristóvão, que fez curso de patrão no Sebrae, almoçava e observava meu trabalho.

Quando remontei a roda, meu patrão, que já tinha terminado a ceia, veio ajudar-me a colocar a roda. Serviço concluído, Cristóvão-Sempre-Ele pagou a conta e quando fomos sair … 😞😞😞 … o pneu dianteiro estava murcho. 😞 Cristóvão, sempre ele! Foi meu pico de estresse. Eu não queria acreditar naquilo. Fiquei longos segundos pensando no futuro e no passado, olhando para Cristóvão sem o ver, mente divagando, tentando entender o que eu havia feito de errado para merecer aquilo. Ali concluí que não chegaria a tempo de pegar a van.

Nisso, do sudoeste veio pesada nuvem de chuva. O paredão branco de água veio rápido e cobriu o bar. 😞 

Cristóvão já não tinha mais remendos e tinha perdido o tubo de cola. 😞 Antes que ele resolvesse usar os meus remendos para consertar sua surrada câmara velha, dei minha câmara reserva para ele e, sob protestos, joguei a dele no lixo do bar. Sentei-me numa cadeira e deixei ele fazer o conserto dessa vez.

Ele foi até rápido. Quando terminou, a chuva forte tinha passado e apenas chuviscava. Mais uma vez, ficamos uma hora parados.

Partimos às 14h. Seguimos pela GO-010, sentido leste. Cruzamos o Rio São Bartolomeu pela ponte da rodovia e subimos pelo asfalto por dois quilômetros. Esperei Cristóvão no alto, no início da estrada de chão. Fiquei raciocinando. Faltavam três horas para eu perder a van e faltavam exatos quarenta quilômetros de pedal. Como Cristóvão não iria andar mais rápido, tive que o abandonar. Ele estava em seu quintal e saberia se virar. Antes de acelerar pelos prados verdejantes que tinha pela frente, Cristóvão pediu que eu verificasse, na loja de materiais para construção do São Bartolomeu, se havia cola para remendo, já que ele havia perdido o seu, e avisasse-o por mensagem.

Pedido acatado e registrado, deixei o amigo e entrei nas matas de eucalipto que se sucedem depois do Córrego Surubi. Ao sair do eucaliptais enfrentei a última subida forte do dia. No alto descortina-se bela vista do vale do São Bartolomeu.

Terminada a subida, do outro lado está o vale do Rio Pamplona, afluente do São Bartolomeu. Esse vale deve ter sido um paraíso num passado não tão remoto, antes da agricultura devastar a área. Há várias veredas, cujos buritis restantes tentam sobreviver, sufocados pelas lavouras em sua volta e pelas represas construídas a jusante. É uma tristeza ver as veredas cercadas por lavouras, agonizando.

Nosso caminho continuou pelo alto da Chapada Pamplona. Em nossa volta, muitas lavouras. Onde antes havia cerrado, agora há soja, milho, sorgo, pastagens. Em alguns lugares não se vê uma árvore, paisagem desolada.

No final da chapada, descemos rumo ao Rio Pamplona. Fazia tempo que não passava pela ponte sobre o Pamplona pois meu destino na região era sempre o Rancho Cristaluna, cujo acesso se dá por outro caminho que leva a uma temida ponte pênsil. Da ponte até o São Bartolomeu faltavam apenas 2,5 km de pedal.

Passada a ponte, escalei o vale do Pamplona e cheguei à BR-040. Segui pelo asfalto e cheguei rápido à distante comunidade São Bartolomeu, localidade que cresceu numa grande curva do Rio São Bartolomeu.

São Bartolomeu (imagem do Google Earth)

Parei na loja de materiais para construção e perguntei se havia a cola encomendada por Cristóvão, mas não havia. Avisei o Sempre-Ele sobre a falta, assim, ele poderia seguir direto para seu rancho.

Aí fui finalmente terminar a trilha, seguindo até o Restaurante Comida da Roça que foi nosso ponto de encontro no São Bartolomeu. Fui o último a chegar, às 15h45, 135 km de pedal com 1711 m de subida.

A turma estava bebendo cerveja e a maioria já estava de banho tomado, só esperando para partir. Eu fui logo almoçar, sendo acompanhado por Marcão, Emídio, Dalton e Rafa Kobe. Rafa aproveitava cada nova rodada de almoçantes para comer mais um pouco. Segundo relatos, foi a sexta vez que ele almoçou. Não sei onde cabe tanta comida num homem tão magro. Os pratos dos colegas Marcão e Emídio impressionaram-me. Emídio ficou escondido atrás do seu.

Durante o almoço, Marcão contou-me que por muito pouco não teve que voltar para casa de ambulância. Entrando no povoado, um carro entrou numa estradinha de terra paralela à rodovia por onde ele vinha. Sem freio, não conseguiu frear e trombou no carro. Felizmente, Marcão sofreu apenas escoriações. A bike sofreu danos maiores.

Ponte de madeira no Rio São Bartolomeu

Enquanto isso, longe dali, Cristóvão tentava chegar ao seu rancho. Com suas forças exauridas devido à dificuldade do percurso, vinha pedalando lentamente. Faltando vinte quilômetros para chegar, pegou desvio à direita depois de uma escolinha abandonada e desceu rumo ao Rio São Bartolomeu. Atravessou o rio por uma velha ponte de madeira e atingiu a BR-040, por onde seguiu até o Rancho Cristaluna. Quando ele chegou à rodovia, nós já havíamos passado, embarcados na van, retornando a Brasília.

Cristóvão finalmente aportou em seu latifúndio piscinoso, às margens nunca plácidas do Rio Pamplona, às 18h.

Caminho velho com nome novo, mas foi um pedal fantástico. Parabéns e obrigado ao amigo Dalton pela organização. Agradeço aos colegas pela companhia. Obrigado, Cristóvão pela inspiração. Cristóvão, sempre ele! 😄

Cristóvão-Sempre-Ele em ação

PS: Antes que alguém pense que eu me zango com Cristóvão, muito pelo contrário. Ele é uma fonte infinita de inspiração para meus textos. Acho que ele é que deveria se zangar comigo. Quando pedalamos juntos, tento entender o que é, onde vive, do que se alimenta esse ser enigmático chamado Cristóvão Naud.

10 comentários sobre “De Brasília ao povoado São Bartolomeu: pedalar com Cristóvão nunca é simples!

  1. Muito bacana, Evandro! Parabens pelo texto. Nosso amigo Cristóvão sempre rouba a cena. O texto me fez reviver algumas situações de viagens anteriores 😞😅🤣. Na hora que ocorrem são motivo de estresse, mas depois damos boas gargalhadas.
    Parabéns aos aventureiros!

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  2. Rindo muito aqui e perplexo com sua serenidade em relatar essa odisseia maluca. Rapá, acho que é melhor encontrar o homem da marreta a acompanhar essa figura caricata kkkkkkkkkkkk…

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    • Pois é como canta o poeta: “ando devagar, porque já tive pressa…” E todo mundo se encanta, no teatro, no rádio e na TV, mas quando chega na vida real, todo mundo apressado!

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  3. Muito bem documentado e relatado, presidente! Só uma correção, vai que algum aventureiro resolva explorar mais detalhadamente. O desvio em direção ao rio São Bartolomeu foi para a direita, e não para a esquerda. Logo depois da escolinha abandonada.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Chorando de rir Evandro!
    Realmente esse Cristóvão é pra ser estudado….sempre ele!
    Queria mesmo era estar junto. Saudades de pedalar com voces.

    Curtido por 1 pessoa

  5. Pingback: Cinco ciclistas solitários rumo ao isolado Rancho Cristaluna | Ser Pedalante

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