Prata – 26/12/2021

Evandro, Héllen, Rosinha e Renata

Sertanópolis, 26 de dezembro de 2021.

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Para o pós-Natal, Héllen sugeriu que fôssemos ao Prata, zona rural de Bela Vista do Paraíso.

Reunimo-nos na esquina da Rua São Paulo com a Rua dos Pioneiros às 5 horas da manhã. Lá estavam Rosinha, Renata Pelizaro, Héllen e eu.

Seguimos pela PR-090, sentido Ibiporã,  até a Estrada do Piza. Cruzamos o Ribeirão Couro do Boi e depois o Córrego do Piza. Depois de passar pela Capela de São José, pegamos a primeira bifurcação à direita e subimos o vale do Piza até perto de sua nascente. Paramos na Capela de Santa Ângela, para pegar água.

Capela de Santa Ângela à direita

Atravessamos a rodovia e pegamos o carreador do outro lado.

Subimos até uma árvore isolada, de onde se avista a torre do Recanto Eucarístico São Francisco de Assis.

Torre do Recanto Eucarístico São Francisco de Assis ao centro

Buscaríamos as nascentes do Couro do Boi.

Entramos na fazenda do ex-prefeito de Sertanópolis, Aleocídio “Tide” Balzanelo. A reserva legal da propriedade é uma bela mata de 115 hectares que abriga árvores enormes, como perobas e figueiras centenárias que sobreviveram à devastação perpetrada no século XX. 

Bordeamos a margem oeste da matinha por quinhentos metros e depois descemos por carreadores às nascentes do Couro do Boi. Na área existem vários córregos que se juntam para formar o Ribeirão Couro do Boi. Algumas barragens foram construídas nos vales desses córregos.

Fomos parando para conhecê-las. Na primeira delas encontramos fezes e pegadas de javali.

Javali

O javali é um porco selvagem originário da Europa, Ásia e norte da África. Ele foi introduzido em várias regiões como animal de criação para produção de carne, mas, devido à sua agressividade natural e força, não puderam ser contidos por muito tempo. Eles fugiram dos cativeiros e espalharam-se pelo mundo. Atualmente, são listados como umas das piores espécies exóticas invasoras.

Foto: Federação da Agricultura do Paraná/divulgação

No Brasil, por muito tempo acreditou-se que os javalis chegaram andando, após fugirem de criadouros no Uruguai e Argentina. Porém, atualmente é consenso que os animais foram importados, seja clandestinamente do Uruguai ou oficialmente da Europa, para criação doméstica e acabaram fugindo, sendo atualmente encontrados em todas as regiões do país.

O javali é uma das poucas espécies que o Ibama autoriza a caça. Parece contraditório, mas caçá-los faz bem ao meio ambiente. O javali é um animal onívoro, ou seja, come tudo que vê pela frente: animais vivos ou mortos, vegetais, cogumelos, lixo. Assim, é extremamente nocivo aos ambientes naturais e animais silvestres. Em sua busca frenética por alimento, destroem nascentes, cavam o solo causando erosão, destroem lavouras, comem animais selvagens, comem ovos de aves que nidificam no chão, competem por alimento com animais selvagens, etc. Enfim, é um criminoso de alta periculosidade.

O javali também ataca humanos. Há vários registros de acidentes pelo país. Com  dentes enormes, agressividade, força e velocidade superiores ao do homem, não é fácil enfrentá-los. O site Restless Backpacker (Mochileiro Incansável) dá dicas sobre o que fazer ao encontrá-los.

Motivos de ataque: Os javalis atacam quando estão acuados, quando são caçados ou para defender seus filhotes.

Como se defender: Ao avistar um javali, procure manter a maior distância possível, recuando calmamente. Se o animal vier em sua direção, procure subir em algo que ele não consiga, como uma árvore, pedra, carro, ou abrigar-se em um local fechado. Caso seja atacado, faça o possível para manter-se em pé (jiu jitsu não!) e revide com o que estiver disponível (pedras, paus, facas, armas de fogo, etc).

– – –

Seguimos beirando a mata ciliar, atentos às pegadas da porcada. Cruzamos o córrego sobre a barragem da segunda represa. Daí subimos a vertente esquerda do córrego para chegar ao Couro do Boi, onde passamos pela maior represa do caminho.

Cruzamos o Couro do Boi e margeamos sua mata ciliar, até chegar ao ponto onde três cursos d’água se juntam, dando corpo ao ribeirão que percorre 35 quilômetros antes de desaguar no Rio Tibagi.

Subimos pelo terceiro curso d’água que forma o tridente de córregos das nascentes do Couro do Boi. Ali passamos pela quarta represa do caminho.

A PR-445, trecho entre Warta e Bela Vista do Paraíso, está sobre o divisor de águas da bacia hidrográfica do Rio Tibagi e da bacia do Ribeirão Vermelho, sendo os dois afluentes do Rio Paranapanema. Teríamos que sair das margens do Couro do Boi e chegar à rodovia. Subimos mais um pouco bordeando a mata ciliar do córrego e cruzamo-lo por ponte, no local onde há uma pequena floresta de pinus. Aproveitamos para fazer algumas fotos antes de terminar a subida.

Pedalamos pelo asfalto por 1,8 quilômetros até entrarmos à esquerda, numa estrada de terra que parece estar sobre o limite sul do Município de Bela Vista do Paraíso. Deixamos a bacia do Tibagi. Eu estava na frente e parei na primeira sombra que encontrei, embaixo de uma mangueira. Essa é uma época do ano em que se pode pedalar no Norte do Paraná sem levar lanche, pois sempre encontra-se uma mangueira perdida na beira da estrada ou no meio de uma lavoura. Antigamente tinha bem mais, mas as árvores vem sendo sistematicamente eliminadas. Os agricultores não gostam de árvores próximas à lavoura pois as culturas não se desenvolvem bem na sombra. Eu acredito que as que ainda estão em pé só foram mantidas pois servem de marco divisor das propriedades.

Descemos pela estrada até cruzar o Córrego dos Belvederes, no local onde há uma matinha e algumas casas. Acompanhamos o córrego por 2,5 quilômetros até o local chamado Jurema, onde há uma capela de Nossa Senhora Aparecida.

Por lá passa a Estrada da Prata, antiga rodovia de asfalto deteriorado. Seguimos por ela, passando pelo Córrego Ponte Funda e depois pelo Córrego da Prata. Após o córrego está o núcleo do Distrito Rural da Prata.

A Prata é um dos três distritos originais do Município de Bela Vista do Paraíso, que eram Bela Vista do Paraíso, Santa Margarida e Prata. Todos eles pertenciam ao Município de Sertanópolis, do qual foram desmembrados em 1947. Em 1956, Prata foi transferida para o Município de Cambé.

Paramos na Capela de Santa Terezinha. Portas e janelas estavam abertas. A capela está abandonada.

Quando entrei ouvi passos. Se fosse de noite, eu sairia correndo. Caminhei até o altar e vi um buraco no forro, onde estava uma grande coruja branca. Era ela, ou alguém de sua família, que caminhava no teto da capela quando entrei.

O tamanho da capela é sinal de que o distrito tinha muitos moradores. É uma pena estar abandonada.

A Estrada da Prata, vista de dentro da Capelas de Santa Terezinha

Depois que as meninas pegaram água, voltamos à atividade. Seguimos pela Estrada da Prata por mais 650 metros. A subida terminou um pouco antes da estrada que seguiríamos à direita. Eu subi na frente, acompanhado de perto por Rosinha, e quando a subida terminou, a estrada começou a descer. No embalo, entrei rápido na curva para acessar a estrada e continuei pedalando sem parar, até encontrar outra estrada, onde parei para esperar. Eu fiquei parado no alto por cerca de quinze minutos, mas as meninas não chegaram. Imaginei que algo poderia ter ocorrido e resolvi voltar, mas, quando montei na bike, avistei-as. A causa da demora foi que Rosinha perdeu-se. Na tal curva, que entrei rápido, ela não me viu e seguiu em frente pela Estrada da Prata. Héllen teve que correr para resgatá-la.

Grupo reunido, seguimos de volta à PR-445. Foi a maior subida do dia: oito quilômetros com duzentos metros de ascensão. A estrada segue pelo alto, pela crista entre os vales dos córregos da Prata e do Guará, cruzando algumas áreas de mata.

Esperei as meninas num ponto de ônibus da rodovia. Quando elas chegaram, cruzamos a pista e voltamos ao vale do Rio Tibagi. Seguimos para Sertanópolis pela Estrada da Água do Meio e pela Estrada da Mombuca, passando pela pedreira municipal.

Pedreira municipal de Sertanópolis

Chegamos à cidade por volta das 11 horas da manhã. Rodamos 72 quilômetros com 1.334 metros de subida.

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