Pedalando no Sertão – dezembro/2021

por Evandro Torezan.

Nunca perdoarei o Palmeira. Não o time de futebol, calma aí Palmeirense afoito. Refiro-me a Diogo Mulero, vulgo Palmeira, autor da música Paraná do Norte. Ele fez música em homenagem ao Norte do Paraná, e até começou bem. Veja:

Sou filho do norte do meu Paraná
Nascido e criado lá em Cambará
Lugar de riqueza, miséria não há
Quem quiser dinheiro é só trabalhar
O paranaense do sul ou do norte
É bem sacudido, é rígido e é forte
Enfrenta o perigo, zombando da morte
Cortando madeira ou fazendo transporte

Mas depois desandou, ao citar nome e características de alguns municípios que integram essa região do Estado, esquecendo da minha Sertanópolis. Imperdoável, Palmeira!

Quando ouvi essa “moda” pela primeira vez, fiquei atento aos detalhes, aos nomes das cidades. A música terminou e nada. Na ocasião, eu até parodiei a música, fazendo piada com o lapso do autor, colocando mais uma estrofe no final: “E de Sertanópolis me esqueci”. Palmeira poderia ter falado do calor que faz aqui. Sugiro até fugir da mesmice e mudar o título da cidade: em vez de “capital da amizade”, usada por várias cidades brasileiras, seria mais condizente chamá-la de “capital da nuca molhada”.

Estação ferroviária de Londrina nos anos 50 (foto: Carlos Stenders)

Há uma lenda em Sertanópolis que diz que a cidade não cresceu pois a estrada de ferro não passou por lá. Mas será isso verdade? Vamos analisar os fatos. Temos cidades vizinhas cortadas pela ferrovia que também não cresceram muito. Jataizinho, Uraí, Congonhas, tinham estações de trem e não se transformaram em metrópoles. A verdade é que os planos da colonizadora inglesa Companhia de Terras Norte do Paraná, não incluíam Sertanópolis, pois a Cidade Sertão não fazia parte das terras que ela possuía. Além disso, fazer uma estrada de ferro passar por Londrina, vinda de Jataizinho, era bem mais fácil que fazer passar por Sertanópolis, questão de topografia. Os afluentes da margem esquerda do Tibagi entre Jataizinho e Sertanópolis correm de oeste para leste. Para chegar a Sertanópolis, o trajeto seria sul-norte e muitas pontes seriam necessárias para sobrepujar esses cursos d’água. Levar a ferrovia para Londrina foi bem mais fácil. Bastou desenhar o trajeto no sentido leste-oeste, pela crista entre os vales. Assim, a Cia Norte conectou não apenas Londrina, mas vários outros núcleos urbanos que criou.

Apesar da falta de trem, e da gafe imperdoável do Palmeira, Sertanópolis vai bem, obrigado por perguntar :-). Tem várias indústrias, bairros novos e condomínios de chácaras de veraneio proliferam-se nas margens do Rio Tibagi. O município prospera, como revela sua posição no ranking estadual do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal) de 2018 (último disponível quando escrevi a matéria): 23º lugar. Chupa, Cambará! Entrou na música mas está mal no ranking (277º lugar).

Sobrevoo sobre Sertanópolis. Vídeo de Andrews Penha.

Parafraseando outra dupla caipira, Tião Carreio e Pardinho, “se a minha vista arcançasse onde o pensamento vai, talvez não sofresse tanto por não ver…” o Paraná. Com o final de ano chegando, os planos para matar a saudade da família e da terra natal começam a ser feitos. Carro ou avião? Levar ou não a bike? Ficar quanto tempo? Pois este ano decidimos ir de carro, viagem de mais de dois mil quilômetros (ida e volta). De carro fica mais fácil levar a bicicleta e os acessórios. Assim, no dia 17 de dezembro pegamos a estrada em Brasília e desembarcamos em Sertanópolis no início da noite.

Mas chega de conversa, vamos pedalar! Antes de viajar, mapeei alguns percursos no entorno da cidade e carreguei-os no GPS.


Guarani e Jaqueira, 19/12/2021

Minha irmã Héllen convidou os amigos de seu grupo de Sertanópolis. Encontramo-nos no Lago Tabocó. Além de Héllen, Leidiane e eu, apareceram Vera Pissinati e Rosinha Monteiro. A lua cheia ainda brilhava no céu… [CONTINUAR LENDO]


Sete Ilhas – Biguá – Cruzeiro, 21/12/2021

Dia de pedal solitário na terrinha. Queria testar os percursos que havia mapeado. Saí da cidade pela PR-323 (Rodovia Celso Garcia Cid), sentido norte. Deixei o asfalto quando entrei na Água do Tigre. Escalei o vale e desci até a Água das Sete Ilhas, passando, no caminho, pela Água Azul… [CONTINUAR LENDO]


Piza – Glória – Mombuca, 23/12/2021

Quinta-feira. Leidiane resolveu pedalar comigo e pediu um percurso curto. Héllen sugeriu que fizéssemos um caminho passando pelo Glória.

Às margens da PR-323, entre Sertanópolis e Londrina, há uma pequena capela de Nossa Senhora da Glória… [CONTINUAR LENDO]


Prata, 26/12/2021

Para o pós-Natal, Héllen sugeriu que fôssemos ao Prata, zona rural de Bela Vista do Paraíso.

Reunimo-nos na esquina da Rua São Paulo com a Rua dos Pioneiros às 5 horas da manhã. Lá estavam Rosinha, Renata Pelizaro, Héllen e eu.

Seguimos pela PR-090, sentido Ibiporã,  até a Estrada do Piza… [CONTINUAR LENDO]


Passeio das Capelas, 28/12/2021

Eu não sei como é para você, amigo pedalante, mas para mim, pedalar é muito mais do que atividade física. Quando eu passo pelos lugares fico imaginando a história que aconteceu ali. Para a maioria é só uma trilha, mas para mim não. É uma viagem histórica e geográfica. O Passeio das Capelas, inventado pela turma do MTB Sertão, despertou minha curiosidade. Vamos comigo? Então pegue seu café e sente-se, que lá vem história! [CONTINUAR LENDO]


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